Na abertura estadual do plantio do arroz, em Restinga Seca, previsão é 

de área 10% menor

Expectativa e apreensão. Embora não ditas pelos produtores, essas palavras definem os sentimentos e as projeções dos agricultores que estiveram presentes no evento da 8ª Abertura do Plantio de Arroz do Estado, na manhã de sábado, em Restinga Seca. Os produtores da cadeia da orizicultura do Rio Grande do Sul esperam que a safra 2011-2012 seja ligeiramente melhor do que a do ano anterior (2010-2011), que se mostrou quase um desastre econômico para os cerca de 18,5 mil produtores de 136 municípios gaúchos que cultivam arroz.

As projeções da Emater e da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) são que as áreas cultivadas sejam novamente reduzidas para a safra deste ano. No Estado, durante o período de 2010-2011, o arroz foi plantado em 1,17 milhão de hectares. Para este ano, o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) estima que a redução da área fique de 8% a 10% no Estado, podendo chegar em algumas regiões a 15%. A safra plantada para 2011-2012 está estimada em 1,05 milhão de hectares. Já o baixo valor da saca de 50 kg deverá se repetir na safra que está começando.

A apreensão de ter outro ano de prejuízo levou o agricultor André Renato Lavall, de Restinga Seca, a continuar destinando cem hectares para o plantio de soja. Nos últimos cinco anos, ele conta que está em uma ?rotação de cultura forçada?, alternando entre pecuária e soja nessa área. Ele segue plantando arroz nos outros 180 hectares da propriedade. A raiz do problema da redução da área plantada de arroz conta com vários fatores. Entre eles, estão o aumento nos preços dos fertilizantes e a concorrência do preço do produto dos vizinhos do Mercosul (Argentina e Uruguai). A safra gaúcha 2010-2011 produziu 12,8 milhões toneladas de arroz. Para este ano, mesmo com a redução da área, os arrozeiros esperam, no mínimo, que o número seja alcançado, a fim de contabilizar menos prejuízos.

Com um olho no cenário atual e outro nas condições climáticas para o período de safra deste ano, durante o evento, os orizicultores escutaram em palestra que as metades Sul e Oeste (principais produtoras de arroz) deverão enfrentar períodos de escassez de chuva, o que deverá favorecer o plantio de arroz e, em contrapartida, prejudicar o plantio de soja. Os efeitos do La Niña farão com que a Metade Sul possa enfrentar períodos de seca, e a Metade Norte, tenha mais chuva. Já o centro do Estado deverá alternar períodos de estiagem e de chuvas mais intensas.

De acordo com o coordenador do Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural Estadual do Irga, Rui Ragagnin, a crise em torno do arroz exigirá dos produtores métodos de gestão e de planejamento:

Não existe uma única saída. O momento é de produzir um arroz diferenciado, como o orgânico.

Garantia ? O secretário Nacional de Política Agrícola do governo federal, Caio Rocha, que representou o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, acredita que a safra deste ano está longe do ideal que os produtores gaúchos esperam, mas projeta safras melhores aos orizicultores. O secretário estadual de Agricultura do Estado, Luís Fernando Mainardi, avalia que a ?crise do arroz? está próxima do fim. Ele sustenta que haverá ?equilíbrio entre oferta e procura?, o que dará um valor mais real ao preço da saca. 

Fonte: Diário de Santa Maria

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