Além de se constituir numa alternativa econômica, a soja vai revitalizar a lavoura de arroz e potencializar o uso das áreas para outras oportunidades, integrando-as num sistema de produção de grãos e carne.

Quem nos dá um panorama sobre esta cultivar nas áreas de arroz é o professor de Fitotecnia Ênio Marchezan, da UFSM/RS. Vejamos:

1.Reconversora de áreas

O primeiro deles é que a soja auxilie na recuperação ou manutenção de tecnologias de produção. Já que ela é decisiva para o controle de plantas daninhas. Pois contribui na redução do custo de controle de invasoras da lavoura de arroz e do sistema de produção como um todo. A soja é fundamental para recuperar áreas onde se perdeu a tecnologia Clearfield no sistema de produção de arroz por resistência de plantas daninhas aos herbicidas utilizados. Além disso, é decisiva para a manutenção de novas tecnologias de produção de arroz que virão. Pois, faz parte de um sistema de produção mais intensivo e sustentável para as áreas de arroz.  

2.Elevação da produtividade do arroz

Esta contribuição ocorre em função do melhor controle de plantas daninhas com herbicidas de outros grupos químicos, além de interromper ciclo de pragas e doenças. Por ser uma leguminosa influencia também na parte física, química e biológica do solo. Ademais, a área quando pronta após a colheita oferece maior domínio sobre a melhor época de semeadura do arroz, fator fundamental para elevar a produtividade, pois pode-se fazer coincidir o período de maior radiação solar com o período mais responsivo do arroz.  

3.Redução de custos

Os custos da lavoura de arroz se reduzem em função de não haver necessidade de preparo da área após o cultivo da soja, apenas a confecção de taipas e manutenção do sistema de drenagem. Os custos com o controle de plantas daninhas se reduzem com o avanço do tempo de uso da sucessão/rotação de cultivos.

4.Infraestrutura

Outro legado importante é investir na infraestrutura das áreas, melhorando e automatizando tudo o que for possível com relação a canais de irrigação e drenagem, nivelamento das áreas, estradas internas, fertilidade das áreas e etc. O objetivo é potencializar o uso das áreas para outros usos além da soja, como também milho e forrageiras, e com isso a integração com a pecuária. Veja Parte II e continue lendo.   Eng. Agr. Enio Marchesan Prof. Universidade Federal de Santa Maria – junho/2020