Além de se constituir numa alternativa econômica, a soja vai revitalizar a lavoura de arroz e potencializar o uso das áreas para outras oportunidades, integrando-as num sistema de produção de grãos e carne.

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 5.A soja e forrageiras de inverno

Ainda no aspecto técnico pode-se dizer que “a soja não vem sozinha”. É uma espécie espetacular para implantação de forrageiras de inverno utilizando-se sobressemeadura de forrageira de inverno como o azevém ou semeadura após a colheita da soja, de espécies como azevém, aveia, trevos/outras espécies em áreas propícias.

A utilização de plantas de cobertura na entressafra de soja ou arroz é tecnologia agronômica de alta sustentabilidade. Visto que é importante para a ciclagem de nutrientes, controle de plantas daninhas, proteção/reequilíbrio da biologia do solo e oferta de forragem no cedo para a integração com a produção animal. É um exemplo prático extraordinário para viabilização de sistemas conservacionistas que tanto se apregoa.

 

6.Gestão da propriedade e dos recursos humanos

A presença da lavoura de soja na propriedade vai fazer com que se necessite melhorar o sistema de gestão da propriedade. Não apenas com relação ao planejamento de uso de recursos financeiros, mas particularmente quanto a recursos humanos. E não para por aí; agora tem-se arroz e soja e logo virão outras possibilidades de produção de grãos ou forragem para produção animal, necessitando cada vez maior domínio dos fatores de produção, e gestão financeira e de pessoas.

 

7.Outra fonte de renda

Por possuir aspectos particulares de produção e também de comercialização, a soja se constitui numa fonte de renda, que auxilia também no fluxo de caixa. Isto é fundamental para a administração financeira da propriedade, já que pode ser comercializada em momento diferente do arroz.

 

8.Sistemas de produção

Como se observa, a soja é um “achado” para integrar o sistema de produção de terras baixas. Mas para atender as demandas de “hoje”, ainda precisa-se evoluir muito sobre suas exigências para que seja um cultivo com menos oscilações de produtividade. Precisa se preparar para o “amanhã”, para ter respostas a problemas e demandas ainda desconhecidos. Especialmente, quando integrados num “sistema de produção”, que com certeza aparecerão.

 

9.Novas oportunidades

Como se trata de um cultivo recente os aspectos de manejo necessitam ser ajustados a sua condição. Limitações que se tem hoje em função da falta de informação consolidada, mas ao mesmo tempo são oportunidades que se abrem para a pesquisa científica e para a validação em nível de região ou propriedade com participação dos produtores, técnicos e empresas.

Entre os principais aspectos pode-se relacionar: organização e drenagem da área, irrigação suplementar, implantação da lavoura, melhoria do ambiente radicular das plantas, cultivares, manejo de plantas daninhas, manejo da palhada e de plantas de cobertura, enfoque em sistema de produção e gestão da propriedade e de pessoas.

 

10.Acompanhamento técnico

Para que se tenha esse preconizado uso intensivo e sustentável de áreas de arroz, é necessário cada vez mais o conhecimento e o uso de tecnologias adaptadas às diferentes necessidades.

Para isso, é necessário o suporte de profissionais especializados em diversas áreas, para que o termo sustentabilidade se aplique a todos envolvidos (pessoas e ambiente), no processo de produção.

 

Eng. Agr. Enio Marchesan

Prof. Universidade Federal de Santa Maria – junho/2020