Para 2019, cerca de 244,7 milhões de toneladas de grãos serão produzidas no Brasil, fazendo desta uma safra recorde.

Nós já apontamos aqui no Blog um agregado de fatores que podem interferir neste número e que você deve ficar muito atento.

Esses fatores vão desde decisões políticas, oscilações do mercado até condições climáticas.  Todos eles são capazes de acertar em cheio a rentabilidade da sua lavoura.

E nós sabemos que um dos atuais – e mais difíceis – desafios da agricultura moderna é aumentar a produção agrícola sem, necessariamente, aumentar a área de cultivo.

E para isso existe uma única saída: ganhar produtividade.

O aumento da produtividade é objetivo universal para os mais de 4 milhões de produtores rurais que plantam no Brasil, dada a importância de proteger os abundantes recursos naturais utilizados pela agricultura.

Com os investimentos certos, é possível que a produção rural aumente sem que haja a incorporação de novas áreas e, automaticamente, a otimização dos fatores produtivos e naturais.

A semente é o insumo mais estratégico para o rendimento da lavoura e para o alcance desse objetivo.

Sementes de boa qualidade e com taxas altas de vigor são o arranque inicial para que se obtenha a produção desejada e minimize ocorrência de pragas devastadoras de produtividade.

A escolha da variedade mais adaptável ao solo e a região onde será germinada, respeitando a densidade da cultivar bem como as características *edafoclimáticas, garantirá o sucesso ou o insucesso da safra.

E apenas em razão desse fato já é possível notar o quanto é importante dedicar uma parte do tempo para fazer a melhor escolha.

Nenhum momento é menos importante para garantir que a plantação receberá apenas sementes com plena capacidade de expressar seu potencial agronômico.

E cuidar para que as medidas adotadas para ganhos de produtividade não implique em gastos desnecessários, visto o elevado custo de produção que já são pagos a cada safra.

Com as dicas a seguir vamos tentar tornar essa tarefa mais fácil e auxiliar no ganho de produtividade da sua lavoura.

Uma boa semente é aquela capaz de:

✔️ Resistir a doenças;

✔️ Tolerar adversidades climáticas e

✔️ Ter potencial produtivo elevado.

São muitos os atributos que determinam as características genéticas, físicas e fisiológicas de uma semente, insumo considerado estratégico no ganho de produtividade agrícola.

Para chegar ao consumidor final, as sementes devem passar por um processo rigoroso de produção, onde o maior compromisso deve ser com a fabricação de uma cultivar de qualidade.

Atualmente, o Brasil é o terceiro maior mercado de sementes do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

Cerca de U$S 4 bilhões por ano são movimentados nesse comércio, segundo a Associação Brasileira de Semente e Mudas (Abrasem).

As maiores culturas do país como soja, milho, algodão, arroz e trigo são responsáveis por 83% dessa movimentação.

Na safra 2015/2016, a produção de sementes de soja liderou o ranking com 2.561.552 toneladas produzidas, seguida do milho (479.680 t) e do trigo (209.909 t).

Com a chegada da tecnologia também no setor de produção de sementes, foi possível que processos de rastreabilidade fossem incorporados em todas as etapas de geração do insumo.

A tecnologia também permitiu que 95% das sementes de soja cultivadas hoje no Brasil recebessem tratamento químico antes de chegar ao produtor, garantindo que ele receba o insumo em condições sanitárias adequadas e prontas para auxiliar no ganho de produtividade.

As doenças da soja, em sua maioria, tem origem em patógenos que se instauram na semente. Mais do que deixá-las protegidas para gerar plantas saudáveis, a medida tem grande valor no controle de pragas e doenças de altíssimo impacto econômico na cultura da soja.

Dois estados da Região Sul do Brasil despontam como referência na produção nacional de sementes: Rio Grande do Sul, em primeiro lugar, com 14 espécies produzidas, seguido do Paraná.

Os dois estados, na safra 2014/2015, somaram juntos quase 1 milhão de toneladas produzidas, de acordo com o Anuário Brasileiro de Sementes de 2016.

Nos dois estados, os carros chefes da produção foram a soja e o trigo.

Além dos da Região Sul, estados como Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás já estão produzindo acima das 400 mil toneladas de sementes por safra e despontando em um mercado promissor.

O mercado internacional também é visto como um sólido caminho para o crescimento do setor sementeiro devido a ampla oferta de ambientes favoráveis a produção.

Em 2015, as vendas de várias espécies brasileiras para o exterior totalizaram U$S147,902 milhões, enquanto que as importações ficaram na casa dos U$S 122,709 milhões.

Os processos tecnológicos e as pesquisas responsáveis pelas maiores descobertas no setor de sementes só são de fato eficazes quando aliadas ao trabalho do produtor rural.

Sendo assim, o produtor tem papel fundamental no sentido de estabelecer ainda mais qualidade ao insumo.

Ao escolher o local onde a semente será plantada é preciso levar em conta aspectos como fertilidade, altitude e o histórico de adversidades climáticas da região.

Regiões cuja altitude varia de 700 a 1000 metros, com temperaturas amenas, chuvas regulares e solos bem estruturados são condições ideais para o bom desenvolvimento das sementes.

O manejo diferenciado também faz toda a diferença e isso inclui:

✔️ Realizar a semeadura em épocas favoráveis ao desenvolvimento da planta;

✔️ Usar fertilizantes foliares;

✔️ Optar por uma adubação balanceada e que seja de acordo com a cultivar escolhida;

✔️ Fazer a prevenção e o combate de pragas e plantas daninhas e

✔️ A limpeza rigorosa das máquinas agrícolas de maneira que restos de cultivares não se misturem de um cultivo para o outro.

Experiências próprias ou de vizinhos no semeio de determinadas cultivares também são vistas como uma forma eficiente de obter matéria-prima com melhor desempenho para o local.

O produtor ainda tem papel importantíssimo no combate ao mercado ilegal de sementes, denominado ‘‘pirataria’’, cujas ações enfraquecem todos os elos da cadeia produtiva e que é proibida por lei.

E mais uma vez, não desperdiçar as enormes vantagens trazidas pela inclusão da tecnologia do setor sementeiro, especialmente a biotecnologia e os recursos digitais diversos, como os smartphones, os tablets e os  drones.

 

Fontes: Revista A Granja (Práticas e ações para atingir altas produtividades; Semente: qualidade que faz brotar a produtividade; Produto legal, produção promissora); Anuário Brasileiro de Sementes de 2016; Agrow: software para o agronegócio e Blog Cresol.

 

*Características definidas através de factores do meio tais como o clima, o relevo, a litologia, a temperatura, a humidade do ar, a radiação, o tipo de solo, o vento, a composição atmosférica e a precipitação pluvial. As condições edafoclimáticas são relativas à influência dos solos nos seres vivos, em particular nos organismos do reino vegetal, incluindo o uso da terra pelo homem, a fim de estimular o crescimento das plantas.