O Rio Grande do Sul atende hoje pelo nome de maior produtor nacional de arroz. São mais de um milhão de toneladas produzidas todos os anos. O estado representa 70% de tudo que é produzido no país.

O cereal, além das características alimentares e de ser o segundo mais cultivado no mundo, movimenta a economia do país e é a principal – e até mesmo única – fonte de renda de milhares de famílias gaúchas.

Há algumas safras, orizicultores e organizações ligadas ao produto sofrem com uma grave crise que afeta o setor.

São batalhas diárias travadas em busca de alternativas para melhorar a valorização do produto, de maneira que o preço consiga cobrir as despesas com produção e colheita.

A maior necessidade da cadeia produtiva de arroz no Rio Grande do Sul é passar por um processo de reformulação nos seus aspectos estruturais, onde custo de produção, industrialização e comercialização sejam reduzidos.

Além da queda dos preços com o passar das safras, os produtores lidam com a entrada do produto no Brasil por um preço inferior ao custo de produção nacional, principalmente vindo do Mercosul. Altos custos com combustíveis também inviabilizam o andamento da cadeia.

É dentro deste cenário que se manifesta a busca por alternativas que possam diminuir prejuízos e devolver ao produtor rural o sentido de continuar a investir na produção de um dos alimentos mais importantes da cesta básica do brasileiro.

A crescente demanda mundial por alimentos também exige uma mudança de postura dos produtores de alimentos.

Uma dessas alternativas é investir em rotações de culturas, especialmente a rotação entre arroz irrigado e soja, prática que beneficia o solo e ambas as culturas e ainda acarreta em uma saída economicamente positiva para os orizicultores que sofrem com as questões já citadas.

Estima-se que exista, no Rio Grande do Sul, um milhão de hectares de áreas de produção de arroz que possam ser utilizadas também para o cultivo de soja. Atualmente, pelo menos 300 mil hectares já são plantados em rotação com a soja.

Por rotação de culturas entende-se a alternância ordenada de diferentes culturas num espaço de tempo, na mesma lavoura, obedecendo as finalidades definidas.

75% de todas as áreas de arroz irrigado do Brasil se concentram no Rio Grande do Sul, sendo a maioria cultivado em áreas de várzea.

Os solos de várzea, também conhecidos por terras baixas, ocupam uma área de cerca de 5,4 milhões de hectares, o que corresponde a 20% da área do Estado. Estão localizados, em sua grande maioria, ao extremo-sul do Rio Grande do Sul.

De conhecimento dos produtores rurais, a maioria das áreas destinadas ao cultivo de arroz irrigado contém uma elevada infestação de plantas daninhas de difícil controle, principalmente o arroz vermelho.

No sentido de inibir a presença destas doenças e proporcionar melhorias químicas e físicas no solo, a soja atua como moderadora destas plantas daninhas de difícil controle, além de permitir que herbicidas alternativos sejam usados.

A integração tornou-se mais viável ainda graças ao desenvolvimento de novas cultivares de soja que se adaptam aos solos de terras baixas.

Diferente do arroz irrigado, a cultura da soja não tolera o encharcamento do solo. Essa característica levanta a necessidade de técnicas especificas de manejo serem adotadas quando optado pela alternância.

Além do controle do arroz vermelho, a pior praga para a lavoura arrozeira, a rotação arroz-soja garante a ciclagem de nutrientes e é fundamental para a sustentabilidade e para inibir a degradação dos solos. A opção pelo sistema traz um ganho de produtividade em 20 sacas/ha.

O aumento no rendimento dos grãos de arroz cultivado em sucessão também já foi observado em pesquisas.

A soja é a alternativa com maior potencial de utilização em áreas onde também se cultivam o arroz irrigado. Com a iniciativa, os campos varzeanos, antes utilizados exclusivamente para o cultivo do arroz, passam a ter um novo aproveitamento e a sua sustentabilidade financeira recuperada.

A vantagem financeira não é o único ganho desta escolha. A rotação de culturas permite ainda maior quantidade de nitrogênio fixado no solo, o que acarreta em ganhos de fertilidade, pois os arrozais rendem mais quando cultivados em terras recém usadas para a soja.

Produtores do extremo-sul do Estado já afirmaram ter um ganho de 30% acima da média da região depois da adoção da rotação arroz-soja.

Para estes e outros benefícios serem alcançados com êxito, alguns fatores precisam ser brevemente planejados, já que estamos falando da integração de duas culturas bem distintas. Essas questões precisam ser pensadas ainda no preparo do solo.

Os solos de várzea possuem como principal característica a drenagem deficiente da água devido a sua baixa permeabilidade e a soja apresenta baixa tolerância ao excesso de água. Por isso, é importante adotar cultivares que sejam adaptadas a essas condições.

A presença de uma camada compactada próxima à superfície do solo, fruto do preparo da terra para inserção do arroz irrigado, também pode comprometer o desempenho agronômico dessa cultura, pois reduz a infiltração de água, interfere nas quantidades de oxigênio e compromete o rendimento dos grãos de soja.

Portanto, é preciso que sejam adotadas diversas práticas culturais com exatidão para que a soja apresente os resultados satisfatórios quando em rotação com o arroz irrigado.

A drenagem superficial é o manejo principal para a implantação de culturas de sequeiro em áreas de várzea antes ocupadas por arroz irrigado.

As culturas de sequeiro caracterizam-se por serem cultivadas em condições não alagadas, com fornecimento de água pelas chuvas e sendo complementadas por irrigação por aspersão em períodos de seca.

Operações de drenagem e escoamento das águas são bem conhecidas pelos produtores rurais e envolvem o uso de Valetadeiras, Plainas e outros maquinários que vazem a limpeza dos canais das lavouras.

Portanto, o que acabamos de apresentar é uma alternativa que foi desenvolvida pensando no uso sustentável das lavouras de arroz irrigado, em conformidade com uma cultura bem remunerada e que de quebra acarreta em benefícios ao solo.

 

Fontes: Agrolink, Canal Rural, Embrapa, IRGA e MAPA.