De acordo com cálculos divulgados no relatório da Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro teve crescimento modesto de 0,4% no terceiro trimestre de 2021. Mesmo assim, somando com os outros trimestres, se tem um avanço de 10,79% em relação ao ano passado.

Se for analisar separadamente, o ramo agrícola cresceu 17,06% de janeiro até setembro, isso puxado pelo desempenho da agricultura e pela alta importante dos preços, sobretudo fertilizantes e máquinas agrícolas.

Sobre este segmento de maquinários agrícolas, em que a AGRIMEC está inserida, é esperado um aumento de 67,01% no faturamento anual. Isto é resultado da combinação do crescimento anual de 46,60% esperado para a produção em 2021 e do avanço de 13,92% dos preços reais, na comparação entre períodos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o resultado reflete a capitalização de produtores.

Ainda no ramo agrícola, no terceiro trimestre, chamou a atenção uma desaceleração da recuperação da produção industrial, frente ao ano anterior. Esse foi o cenário para quase todas as agroindústrias agrícolas: produtos e móveis de madeira, papel e celulose, biocombustíveis e açúcar, têxtil e vestuário, conservas de frutas, verduras e vegetais, fumo e bebidas. Mas, a variação do PIB do segmento no acumulado do ano continuou positiva.

Também se destacou o crescimento do PIB dos agrosserviços. O bom desempenho da agricultura, com destaque para a soja, e a recuperação do nível de processamento vegetal (apesar da desaceleração) implicaram ampliação do uso de serviços pelo segmento.

Já o ramo pecuário decaiu 4,76%. O principal motivo tem como fator de pressão o aumento expressivo dos custos com insumos, seja dentro da porteira, na agroindústria pecuária ou nos agrosserviços do ramo.

Com todos estes pontos positivos e negativos, a participação do agronegócio no PIB brasileiro pode girar em torno de 28% ao final do ano. Uma marca importante, pois o setor, historicamente, contribui com cerca de 20% a 25% de toda a riqueza produzida no Brasil.

População ocupada do agro é a maior desde 2015

Ainda segundo dados do Cepea, a população ocupada no agronegócio somou 18,9 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2021, forte avanço de 10% (ou de 1,756 milhão de pessoas) frente ao mesmo trimestre do ano anterior e 3,6% (o equivalente a 653 mil pessoas) a mais que no segundo trimestre de 2021.

É o maior número desde 2015, quando teve 19,08 milhões. Os pesquisadores do Cepea destacam uma recuperação dos postos de trabalho prejudicados pela pandemia e seus desdobramentos. Além disso, o avanço no terceiro trimestre evidencia a conjuntura favorável ao agronegócio no período, com impacto potencial na geração de empregos.