Porto Alegre – Um cenário internacional de perdas produtivas nos Estados Unidos e na Tailândia, redução de área no Sul do Brasil e no Mercosul, por conta da deficiência hídrica e baixa rentabilidade, fortes exportações, mecanismos de apoio à comercialização à vontade e renegociação de dívidas, com flexibilização de garantias, está favorecendo uma aceleração na recuperação dos preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, com reflexos em outras praças. O ingresso no quarto final da entressafra, também gera um efeito “remunerador” para o mercado de arroz.

Depois de registrar uma alta de 1,67% em setembro, principalmente na segunda quinzena, o Indicador do Arroz Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa chegou ao dia 20 de outubro acumulando 3,36% de recuperação. A trajetória é a mais positiva nos últimos três meses, pois agosto registrou uma alta de 2,18% registrada. O indicador apontou o fechamento das cotações do arroz em casca, em sacas de 50 quilos, no Rio Grande do Sul a R$ 24,58, posto na indústria. Pela cotação do dia, o valor é equivalente a 13,71 dólares. É a cotação mais alta dos últimos seis meses, mas um valor ainda R$ 1,22 abaixo do preço mínimo de garantia do governo federal.

No Rio Grande do Sul a realidade é de reduzida oferta de arroz de boa qualidade, o que justifica o sucesso do leilão de produto do Irga, realizado na última quarta-feira. Os mecanismos do governo têm atraído pouca atenção das indústrias, cooperativas e produtores em razão dos prêmios abaixo do esperado, alta burocracia e limitações técnicas aos interessados. O leilão de produto para ração, por exemplo, fracassou. Igual sorte têm enfrentado os pregões de troca simultânea, com produto de baixa qualidade e acima dos preços encontrados no mercado pela indústria. Vale lembrar que a oferta é reduzida, mas existe. E de arroz de alta qualidade.

O mecanismo de maior sucesso, sem dúvida, é o PEP, que está garantindo ao Brasil um recorde absoluto nas exportações. Enquanto a Conab prevê a exportação de 1,3 milhão de toneladas até fevereiro, o Brasil já exportou 1,05 milhão de toneladas. E poderá chegar a 1,5 milhão segundo o setor. No Rio Grande do Sul, para explicar as causas da crise de comercialização e a falta de renda no campo, a Assembléia Legislativa criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito que analisará exclusivamente os gargalos do setor arrozeiro. As assimetrias do Mercosul, fiscalização sanitária e o endividamento são alguns dos alvos principais.

As cotações, apesar de mais altas, são nominais. Com baixo volume de negócios no mercado livre e negócios na faixa de R$ 23,00 a R$ 23,50 livre ao produtor nas operações concretizadas. A área plantada no Rio Grande do Sul já supera um terço, com o clima favorecendo as operações. Em contrapartida, os preços ao consumidor estão registrando altas maiores, o que já põe arroz e feijão como vilões do aumento de preços da cesta básica, principalmente nas grandes metrópoles, em medições de universidades e institutos. A pressão política, portanto, deve se acirrar. Principalmente porque estamos entrando em ano de eleições municipais.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre (RS), registrou a alta dos preços médios de R$ 48,50 para R$ 49,00 no arroz beneficiado, em sacas de 60 quilos, sem ICMS. A saca de 50kg, em casca, teve o mesmo comportamento, e subiu para R$ 24,00. Valorizados, os derivados de arroz seguem estáveis, com a saca de 60kg de canjicão cotada a R$ 33,50, a tonelada do farelo a R$ 270,00 (FOB/RS). A quirera, em saca de 60 quilos, é negociada a R$ 31,50.

Fonte: IRGA

.