Em 2018, o Brasil viu ascender a segunda maior safra de soja registrada na história.

Esse ano, apesar das 115 milhões de toneladas produzidas, tivemos uma redução de 3,7%, mas um crescimento de 1,9% na área de plantio.

O Rio Grande do Sul foi o estado que mais cresceu na produção de soja na última safra, apesar de toda diversidade enfrentada com o clima.

Dentro do ciclo de produção da oleaginosa, que normalmente é de 125 a 130 dias, em praticamente metade dele não teve ocorrência de chuvas de forma regular.

Esse fato não apenas impactou na produtividade média do estado, que ficou bem abaixo da esperada, como também no replantio das áreas.

O RS foi onde ocorreu a maior incidência de soja replantada, algo na ordem de 6% da área total do estado, devido, principalmente, às chuvas excessivas no final do mês de outubro.

Apesar desses contratempos, os gaúchos colheram 12% a mais de soja e ultrapassaram a produção do estado do Paraná, tornando-se o segundo maior produtor nacional do grão, de acordo com a Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).

Se esse desempenho por si já é satisfatório, você precisa conhecer a história do produtor gaúcho da cidade de Cruz Alta, região norte do estado, que teve uma produtividade média por hectare 2 vezes maior que a registrada em todo o país.

E ele não parou por aí: com um custo de produção rentável e completamente aplicável por qualquer produtor, Maurício de Bortoli se consagrou campeão da 11ª edição do Desafio de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

A seguir, iremos revelar o que Bortoli fez e como você pode aplicar isso também na sua lavoura.

Boa leitura!

O passo a passo rumo ao dobro de produtividade na soja

Sem fins lucrativos e formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) é uma entidade que nasceu em 2008.

Com o objetivo de trabalhar estrategicamente para aumentar a produtividade da soja e incentivar o crescimento dessa representativa cadeia, a iniciativa estimula ‘‘sojicultores e consultores técnicos a desafiar seus conhecimentos e incentivar o desenvolvimento de práticas de cultivo inovadoras, que possibilitem extrair o potencial máximo da cultura, com sustentabilidade e rentabilidade’’.

O principal produto da entidade é o Desafio de Máxima Produtividade, onde centenas de participantes buscam atingir a meta de mais de 80 sacas por hectare na produção da soja.

Na última edição, Maurício de Bortoli venceu o desafio e registrou uma produtividade de 124 sacas por hectares, o dobro da média nacional no ano.

Em entrevista ao portal Notícias Agrícolas, de Bortoli revelou que o processo de construção do solo campeão vem de 8 safras atrás.

Entre as principais ações tomadas nesse longo período de tempo estão amostragens de precisão do solo, para entender melhor as demandas nutricionais exigidas por cada área, e ações diretas nessas áreas no sentido de corrigir o solo e conquistar maior potencial produtivo.

Em paralelo com a correção, Maurício citou o uso da rotação de culturas, com plantas de coberturas para descompactar o solo e construir um local que tivesse potencial de produtividade suficiente para receber a cultura da soja.

Quando perguntado sobre a época de plantio da sua lavoura e a influência desse processo no resultado obtido na competição, o agrônomo e produtor explicou que na região norte do estado do Rio Grande do Sul a janela ideal para a semeadura da soja está entre os dias 20 de outubro e 20 de novembro.

Porém, é na janela mais ‘‘do cedo’’ que a soja consegue expressar seu maior potencial produtivo, entre os dias 20 e 30 de outubro.

De Bortoli semeou a lavoura no dia 24 de outubro, dentro do período de melhor janela para o plantio de soja na região dele.

Planejamento prévio e escolha da melhor época de plantio, levando em consideração todas as características da região produtora, foram percussores de outra importante decisão.

Depois da semeadura e para garantir a manutenção da lavoura até o momento da colheita, o produtor apostou suas fichas na escolha de uma boa cultivar.

‘‘Desde a preparação do campo à escolha da época, uma das coisas mais importantes que eu fiz foi escolher uma cultivar realmente responsiva para esse ambiente onde eu produzo e para essa época que eu estava semeando. Então, apostando nesse cultivar, eu mantive todo um programa, todo um planejamento de manejo pra suportar, pra dar sustentação para a maior produtividade’’, apontou Maurício.

Para que a lavoura não passasse por nenhum período de estresse, de modo a diminuir a produtividade do grão, do tratamento das sementes às primeiras aplicações da parte nutricional da planta, foram todas voltadas para a manutenção e garantia de que esse material pudesse expressar o máximo do seu potencial.

A interferência do clima

Durante a entrevista, o apresentador do portal Notícias Agrícolas levantou a questão de que a produtividade, na maioria das vezes, não depende apenas do trabalho do produtor.

Existem inúmeras interferências nesse processo e a principal delas seria o clima. E neste ano, ele não foi ideal para a cultura da soja.

Mauricio explicou que o Rio Grande do Sul passou por três momentos bastante críticos durante o ciclo da safra 2018/2019 de soja.

O primeiro deles foi ainda ao início da semeadura, com os excessivos volumes de chuva no final do mês de outubro.

Já em dezembro, período de desenvolvimento da planta, os sojicultores da região foram surpreendidos com 23 dias sem chuvas e de altas temperaturas, o que prejudicou não apenas a soja, mas outras culturas de verão.

Depois de um janeiro regular, o início de março surpreendeu novamente com 19 dias sem chuvas.

As adversidades climáticas, no entanto, não impediram o sucesso da lavoura do vencedor do Prêmio Cesb, graças ao manejo de anos que vinha realizando na área.

Incidência de doenças e pragas

Um dos grandes males do produtor brasileiro de soja chama-se ferrugem asiática.

A região norte do estado do RS tem um clima ideal que acaba promovendo o ambiente benéfico para o desenvolvimento dessa doença.

De Bortoli conta que ele, enquanto técnico e produtor rural, procura por boas ferramentas de manejo, é assertivo e usufrui de tecnologia de aplicação.

O agricultor que convive com a doença todos os anos, ora com mais intensidade ora com menos, aponta a assertividade como principal vantagem diante desse tipo de patógeno:

‘‘Às vezes o mais importante não é nem o que aplicar, mas sim em qual momento, no correto’’.

Colheita

Para que nada em termos de produtividade fosse perdido, algumas datas e ações precisam ser respeitadas quando falamos sobre alto rendimento de uma lavoura.

No caso de Maurício, acompanhamento diário do campo e recolhimento de amostragens das plantas de soja fizeram toda a diferença no resultado final.

O fato dele também ter sido o produtor rural que menos soja perdeu no país prova a preocupação com a regulagem das máquinas para realizar a tarefa da colheita, momento muito importante para a conquista dos resultados esperados.

Ao final da entrevista, o produtor voltou a bater na tecla do manejo em conjunto com boas práticas agrícolas para a conquista dos resultados:

‘‘O ambiente sim foi importante, o clima colaborou, de certa forma, mas acho que a principal resposta que eu posso te dar, se for elencar qual fator que mais respondeu por produtividade foi o manejo, o uso de muito conhecimento e boas práticas agrícolas’’

Rentabilidade alcançável

Depois de todo cuidado, planejamento e ações que foram efetuadas durante o ciclo dessa lavoura e aqui já citadas, Maurício foi indagado em relação a rentabilidade da lavoura e a viabilidade de outros produtores seguirem sua receita.

Ao responder, ele afirma que, além de ser completamente viável, essa é a premissa mais impactante do case dele.

O produtor gaúcho obteve um retorno de 2,07 reais para cada 1 real investido, sem uso de nenhuma tecnologia especial ou insumos de maneira excessiva.

A receita do bolo

De Bortoli conclui que apenas calibrou as semeadoras com sementes e fertilizantes da forma como qualquer produtor também pode calibrar.

Conhecer o ambiente, trabalhar o solo e entender sobre genética responsiva e seguir fazendo bons manejos: eis a receita para o solo campeão do vencedor do concurso.

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Fontes: Canal Rural, Notícias Agrícolas, Conab e Cesb

Link para acessar notícia na íntegra: http://bit.ly/2XbsZr8

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