Engana-se quem pensa que o trabalho agrícola termina junto com a colheita.

O período chamado pós-colheita compreende várias etapas importantes que se não forem bem executadas jogarão fora todo um esforço feito desde o início dos trabalhos.

Uma dessas etapas, e talvez a mais importante, é o transporte da produção.

Apesar de todos os avanços, informacionais e tecnológicos, já presentes também no meio rural, cerca de 70% da produção nacional de grãos é inteiramente escoada através das estradas.

O transporte, seja ele de grãos ou de outras mercadorias, é então condição necessária para a continuidade da vida econômica e social do país.

Mas essa condição impõem muitos desafios a todos os profissionais preocupados com a questão do transporte no Brasil.

A grande maioria dos produtos alimentícios brasileiros, por exemplo, precisa ser transportada, em média, por duas etapas, sobre interferências econômicas e estruturais.

Essa e outras situações tornam clara a importância que um sistema logístico de transportes tem para a redução de perdas e gastos, além do aumento da produção.

Os 5 principais desafios do transporte de grãos no Brasil, abordados na sequência, comprovam isso.

Uma boa oferta de infraestrutura e de estradas no país está entre os principais desafios do atual sistema logístico brasileiro.

Dos 1,7 milhões de quilômetros em estradas existentes no Brasil, apenas 10% estão totalmente pavimentadas, de acordo com o CNIT e o DNT.

Com estradas mal conservadas, parte da carga se perde devido às trepidações das carrocerias dos caminhões, além de aumentar o tempo de viagem e de permanência dos grãos em cima dos veículos.

Aparentemente, essa perda pode ser insignificante, mas o transporte rodoviário está em segundo lugar nas causas responsáveis pela perda total da safra de grãos no Brasil.

Ao escolher a melhor forma de levar os produtos de um ponto a outro, não apenas o tempo a ser gasto com o transporte deve ser levado em conta, mas também o produto que será transportado.

Isso porque longas ou maiores distâncias que as previstas criam a possibilidade de os produtos se deteriorarem, ou seja, de se danificarem e perderem suas capacidades físicas.

Condições de temperaturas e de umidade nas quais ficarão expostos nas carrocerias são condicionantes na qualidade final do produto a ser entregue.

Além da modalidade de transporte rodoviária, que escoa quase 70% de toda produção brasileira de grãos, existem outras três, porém não tão viáveis quanto a primeira.

Cada opção oferece um número de vantagens e desvantagens, principalmente no caso das commodities agrícolas, assim como gastos de energia e de tempo que podem ou não ser adequados ao produto que está sendo levado.

Se a modalidade escolhida não for a mais inteligente, perda de tempo e de produto podem ocorrer.

As principais formas de transportes são a rodoviária, a ferroviária, a hidroviária e a aeroviária.

As modalidades mais caras são, respectivamente, aeroviária, rodoviária, ferroviária e por último, a hidroviária.

Porém, essa ordem se altera se a variável considerada for o tempo, sendo a modalidade hidroviária mais lenta, seguida da ferroviária, rodoviária e da aeroviária, apresentando-se como a mais ágil de todas.

Podemos concluir, então, que as variáveis custo e tempo são diretamente proporcionais: o modo mais ágil de transportar mercadorias é também o modo mais caro para isso acontecer.

Muito trabalho precisaria ser feito para que as demais maneiras de conduzir os alimentos possam ser potencializadas, no momento em que temos uma malha ferroviária insuficiente e mal conservada, dificuldade de acesso terrestre aos portos e rios sem infraestrutura para navegação.

O Brasil ainda tem sua economia refém da uma matriz de transportes desbalanceada, na qual a modalidade mais poluente (a rodoviária) predomina sobre as outras.

Além disso, a péssima conservação das estradas, ferrovias e portos torna a movimentação das mercadorias mais complicada e, consequentemente, aumenta a emissão de gases poluentes.

Atualmente, os transportes representam 6,4% de todos os gases poluentes que são emitidos, ficando atrás de atividades como mudança no uso da terra e atividade industrial.

Em 2010, das mais de 1,4 trilhões de Toneladas Transportadas por Kilômetro Útil (TKU):

?? 65,6% dessa carga foram através das rodovias;

?? 19,5% por meio das ferrovias;

?? 11,4% por meio do modal aquaviário;

?? 3,4% por dutos e

?? Apenas 0,05% pelo aéreo.

Ou outro agravante para o setor de transportes de mercadorias no Brasil é em relação a idade da frota nacional de caminhões.

Motores mais velhos e antiquados impulsionam o uso de combustíveis com maiores índices de enxofre além de interferir na velocidade e na consistência de entrega dos produtos.

A tarefa de transportar os alimentos do local produtor até o consumidor impõem grandes desafios à pessoas físicas e entidades e por isso exige a adoção de uma logística de transporte que diminua o impacto destes desafios na economia, além de outras medidas.

Na sua perspectiva, quais seriam essas outras medidas e de que maneira elas poderiam ser parte da solução para os desafios aqui apresentados?

 

Fontes: Logística para a Agricultura Brasileira (José Vicente Caixeta Filho), A Logística do Agronegócio (Sebrae Mercados) e Logística no Brasil: Situação Atual e Transição Para Uma Economia Verde (FBDS e BNDES).