Não é exagero. A agricultura é o setor da economia mais propenso a riscos, pois o seu sucesso é influenciado por fatores impossíveis de serem controlados.

Entre eles: o clima, o baixo retorno econômico e a oscilação dos preços.

Mesmo sabendo disso, o agricultor não pode faltar com o seu compromisso e prejudicar a entrega do seu produto para o Brasil e para o mundo.

Grande parte do processo produtivo rural passou a ser facilitado com a popularização da internet e com as inúmeras possibilidades de avanço que ela trouxe para dentro do campo.

Hoje, pequenos e grandes produtores viram nestas inovações a chance de driblar desvantagens, ter condições competitivas ideais para comercializar os grãos e reduzir custos na produção.

Mas qual o real impacto dessa revolução tecnológica na vida do produtor? Quais os desafios que eles ainda dizem enfrentar, mesmo amparados pela tecnologia?

É o que a 7ª Pesquisa de Hábitos do Produtor Rural, feita pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA) respondeu.

Ao entrevistar 2.807 produtores, entre homens e mulheres, de 15 estados brasileiros, foi possível traçar o perfil do produtor rural brasileiro, seus hábitos de compras e envolvimento com a tecnologia.

Entre as mais de 200 perguntas feitas, a que se destinava a descobrir os principais desafios enfrentados por esses produtores chamou nossa atenção:

‘‘Nos últimos anos, quais foram os principais desafios que o (a) Sr. (a) enfrenta (ou) no seu negócio? O que faz o (a) Sr. (a) perder o sono? Classifique os três principais desafios em ordem de importância. Qual é o primeiro desafio mais importante, o segundo e o terceiro?’’

Acompanhe as respostas!

? Clima

O clima foi classificado por 25% dos entrevistados como o primeiro desafio mais importante; Por 16% como o segundo desafio mais importante e por 11% como o terceiro desafio mais importante.

E os entrevistados têm toda razão ao classificarem o clima como o principal desafio para a produção agrícola.

Explicamos o porquê.

De acordo com os dados divulgados no Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Brasil poderá perder cerca de 11 milhões de hectares de terras agriculturáveis por causa das alterações climáticas, até 2030.

E se levarmos em conta que, até 2050, serão cerca de 9 bilhões de pessoas no mundo para serem alimentadas, o cálculo acima é bem preocupante.

Além disso, a agricultura é a atividade mais impactada pelas alterações do clima.

O excesso ou a ausência de uma determinada condição climática, por longos períodos de tempo, já são suficientes para impactarem negativamente na formação do grão final.

Com os grãos finais defasados outros dois importantes fatores também são abalados: a qualidade e os preços.

As únicas coisas que não despencam neste cenário são os custos e a mão de obra.

Produtores que sofrem com a estiagem ou que têm suas lavouras alagadas com enchentes sabem bem disso.

Por fim, algumas das alternativas que já estão sendo pensadas para que o produtor rural saiba se preparar cada vez mais para receber as adversidades climáticas:

? A tecnologia agrícola, através do armazenamento de dados e da grande capacidade de fomentar a racionalização dos recursos.

? Foco em totalizar o número de propriedades agrícolas que disponham dessa tecnologia, de forma que as lavouras sejam cada vez mais arquitetadas para estarem preparadas para gerir riscos e mais propensas a trabalhar com as futuras mudanças.

? A ciência deve continuar atuando na criação de variedades genéticas mais tolerantes às modificações do tempo, como seca, frio e inundações.

? Essas mesmas variedades com maiores graus de adaptação poderão ser usadas ainda em práticas agrícolas como a rotação de culturas, que acarreta em ganhos sustentáveis ao solo e ao produtor.

? O planejamento agrícola será cada vez mais indispensável e deverá ser incrementado com novas questões, como por exemplo, o ajustamento das datas de semeadura conforme os níveis de seca ou precipitações aguardados para a região.

? Pragas e doenças

O controle das pragas e das doenças na lavoura foi apontado por 11% dos produtores entrevistados como o desafio mais importante enfrentado no negócio, nos últimos anos.

Ao nos aprofundarmos na problemática, nos deparamos ainda com as espécies de plantas daninhas que atualmente são resistentes aos herbicidas de vários tipos no Brasil, incluindo o Glifosato, ingrediente ativo indispensável para a produção de diversas culturas.

Tanto as pragas e doenças resistentes como as não resistentes são dores de cabeças antigas dos produtores rurais brasileiros.

E motivo extra para comprometer a produtividade da maior parte da agricultura do país.

Com a produtividade sendo atacada, automaticamente teremos perdas econômicas que ultrapassam os percentuais permitidos para a produção agrícola.

A rotação de culturas, o circuito de herbicidas, a integração de diferentes métodos de controle e o monitoramento dos herbicidas após serem aplicados são algumas das formas eficazes de combater as daninhas.

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? Mão de obra

falta de mão de obra qualificada tem se tornado um problema no setor econômico que mais cresce no Brasil: o agronegócio.

Mesmo com esse avanço significativo, “esse gargalo, contudo, pode comprometer o desenvolvimento do agronegócio no médio prazo, pressionando custos, sobretudo em lavouras com uso intenso de tecnologia’’ (Gazeta do Povo).

E a maior demanda está justamente no uso da tecnologia.

Com as inovações agrícolas vindo acopladas nas máquinas desde a fábrica, o importante é ter mão de obra qualificada o suficiente para retirar o máximo de rendimento das máquinas agrícolas.

A Agricultura Digital fez com que produtores de diversos tamanhos e segmentos corressem para abraçar os seus benefícios.

Essa corrida, porém, ampliou a demanda por projetos e profissionais treinados.

Herlon Oliveira, CEO da Agrusdata, explica que com a nova agricultura é possível cortar em até 9% os custos nas lavouras, devido ao uso corretos dos dados nas tomadas de decisão.

Entretanto, a oferta de agrônomos digitais capacitados para a interpretação destes dados ainda é pequena.

Mais uma vez, defendemos a tese de que a qualificação dos produtores rurais é o melhor caminho para que estes saibam retirar todo o potencial dos novos equipamentos e os tornarem eficientes.

Se levarmos em conta que o manuseio correto de máquinas e equipamentos tem grande influencia na diminuição de custos e na produção de mercadorias de maior qualidade, a capacitação torna-se ainda mais necessária.

Por isso, como os próprios produtores apontaram, está na hora de revertermos esse quadro.

Se você se interessou pela pesquisa e gostaria de acessá-la na íntegra, é só clicar neste linke fazer o download.

E se o seu desejo é se aprofundar mais nos conteúdos aqui levantados, sugerimos que acesse o nosso Blog.