Conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, houve retração de 8,80% em comparação ao mesmo período da safra anterior

As unidades produtoras de cana-de-açúcar da região Centro-Sul do Brasil processaram 479,35 milhões de toneladas do início da safra 2011/2012 ao dia 15 de novembro. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o número representa retração de 8,80% comparado ao volume processado no mesmo período da safra anterior, que atingiu 525,62 milhões de toneladas.

Na primeira quinzena do mês, o volume moído pelas usinas totalizou 18,62 milhões de toneladas. O recuo é de 19,59% em relação à quinzena anterior, quando foram processadas 23,15 milhões de toneladas, e de 23,65% no comparativo com a primeira quinzena de novembro de 2010, que registrou 24,38 milhões de toneladas de cana moída. O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, destaca que o volume supera estimativas de safra mais pessimistas. Os números observados, conforme Rodrigues, estão de acordo com a última revisão de safra divulgada pela Unica.

Até o final da primeira quinzena de novembro, 151 unidades ainda estavam em operação na região Centro-Sul. Contudo, a maioria destas empresas prevê o encerramento da safra ao longo da segunda metade do mês. Segundo o executivo, até o final de novembro a safra estará encerrada em praticamente todas as regiões.

– A expectativa é que menos de 35 unidades estejam operando no final do mês. Deveremos, portanto, observar uma retração significativa na quantidade de cana moída nas próximas quinzenas – aponta.

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima alcançou 139,99 quilos na primeira metade de novembro, cifra 4,86% superior à observada no mesmo período da safra passada. No acumulado desde o início da safra, a concentração de açúcares na planta atingiu 137,83 quilos de ATR por tonelada de cana, retração de 2,44% em relação ao valor observado na mesma data da safra 2010/2011.

– O período chuvoso que se iniciou no final da primeira quinzena de novembro e se estendeu por alguns dias deve influenciar a concentração de sacarose na planta e reduzir a quantidade de ATR por tonelada de cana na segunda quinzena do mês – explica Rodrigues.

Do volume total de matéria-prima processada de abril até 15 de novembro, 51,57% destinou-se à produção de etanol. Na segunda quinzena de outubro, este percentual foi de 49,15%.

A produção acumulada de açúcar atingiu 30,49 milhões de toneladas até esta data – queda de 4,73% em relação ao volume observado no mesmo período de 2010. A produção de etanol, por sua vez, somou 19,99 bilhões de litros, sendo 7,78 bilhões de etanol anidro e 12,20 bilhões de etanol hidratado.

A produção de etanol anidro no acumulado desde o início da safra até outubro apresentou um crescimento de 12,75%, apesar do recuo de 8,80% observado na moagem. A maior produção e a importação do produto realizada pelos produtores garantem um volume suficiente para atender a demanda prevista para o mercado doméstico.

Na primeira quinzena de novembro, a fabricação de açúcar totalizou 1,26 milhão de toneladas, enquanto a produção de etanol alcançou 751,20 milhões de litros, sendo 453,40 milhões de litros de hidratado e 297,80 milhões de litros de anidro.

Comercialização

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul somaram 827,91 milhões de litros nos primeiros quinze dias de novembro, 17,70% abaixo do volume registrado no mesmo mês de 2010 (1 bilhão de litros). Deste total, 125,72 milhões de litros destinaram-se às exportações e 702,19 milhões ao mercado doméstico.

No mercado interno, as vendas de etanol anidro atingiram 255,20 milhões de litros nos primeiros quinze dias de novembro. Já as vendas de hidratado totalizaram 447 milhões de litros.

No acumulado de abril até 15 de novembro, as vendas somaram 13,66 bilhões de litros, 17,93% abaixo do total verificado em igual período de 2010. Deste volume, cinco bilhões de litros correspondem ao etanol anidro (volume 10,88% maior quando comparado ao ano anterior), enquanto 8,66 bilhões de litros referem-se ao etanol hidratado.

Ainda de acordo com Rodrigues, neste ano, apesar da quebra de safra, o monitoramento contínuo da produção e das vendas de etanol pelo governo, em conjunto com os demais agentes de mercado, propiciaram um cenário de oferta e demanda mais equilibrado, sem movimentos abruptos de preços e volume.

– Até o momento, a queda na produção de etanol é de quase quatro bilhões de litros,  mas o volume armazenado nas usinas apresenta uma redução de apenas 600 milhões de litros comparativamente ao ano anterior. Esses números mostram que o mercado vem se ajustando à menor produção, concluiu o executivo – afirma. 

Fonte: Canal Rural

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