Os últimos acontecimentos notados na economia agrícola estão fazendo esse setor garantir uma posição de destaque frente a outras economias.

São 228,6 milhões de toneladas processadas que configuram a última safra como a segunda maior da série histórica, com uma área de 61,7 milhões de hectares, a maior já semeada no país, de acordo com o último levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento, Conab.

E o protagonismo não para por aí. Também somos reconhecidos como o terceiro maior exportador de produtos agrícolas, incluindo o café, açúcar, carne bovina, soja e milho.

A Agricultura Familiar, por sua vez, é responsável por 70% de todos os alimentos que chegam na mesa dos brasileiros e está presente em mais de 80% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil.

Todo esse desenvolvimento observado só foi possível porque, em termos de economia, foi necessário haver uma organização espacial e avanços significativos na forma de transportar e comunicar essas mudanças.

Na medida em que o agronegócio se expande, as novas e antigas áreas agrícolas ocupadas precisam combinar tecnologias modernas de produção com foco, principalmente, na diminuição de custos com armazenagem e transportes dos produtos, de forma que a produção possa ser escoada nas melhores condições.

Esses são apenas alguns fatores que influenciarão no aumento da competitividade dos produtos nacionais com os estrangeiros, hoje tão prejudicados pela desigualdade de preços.

E nesse momento, entra em campo na agricultura um elemento-chave que combina estratégia competitiva com otimização global de recursos ao longo da cadeia produtiva: a logística.

Aumentaremos a abordagem da importância da logística na agricultura nas próximas linhas.

Nos últimos tempos, o termo logística vem sendo cada vez mais associado com conceitos inovadores de gerência que envolvem dinamização dos processos e redução de perdas.

A ideia é reduzir os custos que estão presentes em todas as partes do processo de produção e com isso obter um negócio coeso, preciso e de alta performance.

Gerenciar a logística consiste em planejar, implantar e controlar o fluxo que as mercadorias percorrem, do momento em que são planejadas ao momento em que chegam ao consumidor final, sempre se adequando às exigências dos clientes e empresas compradoras.

No agronegócio, as duas principais funções logísticas são as atividades de armazenamento e de transporte.

Quando levamos em consideração os percentuais de safra perdidos apenas durante os processos de armazenagem e de transporte, notamos a importância de um sistema logístico adequado que resulte em vantagens financeiras mais altas.

Pesquisas realizadas na Universidade de São Paulo (USP), em 2015, mostram que a perda total de soja e de milho no país foi de 2,3 milhões de toneladas, com 67,2% resultante apenas dos processos de armazenagem. Na sequência, vem o transporte rodoviário, respondendo por 13,3% das perdas.

Os investimentos com logística, especialmente nessas duas etapas, tornam-se tão necessários quanto investir em máquinas e tecnologia.

Mesmo que o crescimento da população deva ser proporcional com o de alimentos, aumentar a produção, de forma isolada, pensando apenas no número de pessoas que dependem dela não é suficiente.

De nada adianta maiores quantidades produzidas se elas não forem armazenadas em locais e em condições adequados.

Ou ainda, se o sistema de distribuição não for pensado objetivando o mínimo de perdas até o ponto de entrega.

Sendo a logística a responsável por integrar, coordenar e otimizar os sistemas, seria desperdício de esforços não usar ela a favor para conquistar maiores índices de eficiência, organização e integração das atividades.

Essa tentativa de redução de custos e aumento da qualidade do grão armazenado e, posteriormente, entregue envolve todos os sujeitos da cadeia produtiva, começando pelos produtores rurais.

São eles que precisam ir em busca de uma metodologia que aperfeiçoe as atividades que estão por trás do plantio e da colheita.

Eles ainda precisam ter conhecimentos de questões que perpassam as atividades diárias e abrangem outros campos, como o da própria logística.

A imagem abaixo ilustra o caminho que o produto agrícola percorre até chegar ao consumidor final, com ênfase na armazenagem e no transporte.

Esse caminho com suas etapas nada mais é do que o sistema logístico de cada propriedade e o que precisa ser cuidado em cada etapa.

A logística terá a função de unir e manter ligados todos os elementos que compõem este caminho, a fim de melhorar infraestrutura e relacionamento com o mercado.

Fonte: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Por vezes, o baixo nível tecnológico nas propriedades, a ausência de mão de obra qualificada e o manuseio inadequado de certos equipamentos comprometem a produção e, consequentemente, o sucesso da rede logística.

Os pontos a seguir são fundamentais a serem pensados para que esses e outros problemas sejam evitados.

?? Localização das instalações: A localização da propriedade influencia diretamente no recebimento e distribuição dos produtos agrícolas. Por isso, oportunidades e dificuldades do lugar onde a propriedade está instalada devem ser analisadas, sempre tentando potencializar ao máximo a armazenagem, o transporte e a distribuição da safra.

?? Sistema de informação: Uma gestão positiva do negócio agrícola depende unicamente do acesso e do melhor tratamento das informações disponíveis. Ter todas elas organizadas e intermediadas pela tecnologia ajudará em melhores tomadas de decisão.

?? Suprimentos: Momento em que o produtor define o que, quanto e onde estocar os insumos necessários para plantar.

?? Armazenagem: Os armazéns então entre os maiores responsáveis pelas perdas na safra no país.  A escolha e manutenção dos melhores lugares de armazenagem dos produtos, obedecendo a sua perecibilidade, podem evitar consideravelmente essas perdas.

?? Transporte: As modalidades de transportes que podem escoar uma produção (ferroviário, rodoviário, hidroviário ou aeroviário) tem grande importância para a logística. Custos, velocidade de chegada e confiabilidade devem ser adaptados conforme as necessidades de cada produtor.

Mesmo com todas essas etapas sendo muito bem pensadas, os agricultores podem enfrentar problemas que fogem do seu controle, como estradas mal conservadas e a volatilidade dos preços, obrigando-os a armazenar por mais tempo os produtos.

Ter conhecimento de onde se pretende chegar proporciona uma visão mais ampla e clara de como os processos precisam ser planejados, indo ao destino final com as metas estabelecidas batidas.

Para tal, é indispensável a adesão dessa rede logística em toda produção.

 

Fontes: Logística para Agricultura Brasileira (José Vicente Caixeta Filho), Sebrae Mercados, Estadão Notícias, G1.globo