Implementos agrícolas: tudo que você precisa saber.

Neste post você vai encontrar um guia completo para conhecer tudo que você precisa sobre o universo dos implementos agrícolas.

Um pouco de história.

O ano não se sabe ao certo, mas calcula-se que o nascimento da agricultura tenha acontecido há aproximadamente dez mil anos.

Foi mais ou menos nessa época que o homem, antes coletor, agora passa a produzir seus próprios alimentos. A partir daí ele começa a plantar e cultivar ervas, raízes, árvores comestíveis e a domesticar algumas espécies de animais para poder se sustentar.

O tempo passou. Estamos agora no século XVIII. O mundo passa por inúmeras mudanças. O trabalho que antes era artesanal começa a ser substituído pelas máquinas.

O novo modo de produção capitalista, proporcionado pela Revolução Industrial, tornou a agricultura uma atividade lucrativa, deixando de ser apenas fornecedora de alimentos.

Daí em diante intensifica-se a incorporação de novos conhecimentos na produção agrícola e a relação com o setor industrial.

No Brasil, a produção de máquinas e implementos agrícolas chega na segunda metade do século XIX. E o Rio Grande do Sul é o primeiro estado a tornar-se produtor nacional desses bens.

As fases da indústria de implementos agrícolas.

Primeira fase

Até os anos 40 acontece o processo de implantação da indústria de implementos agrícolas, que basicamente fabricava arados de tração animal e outros implementos agrícolas de caráter artesanal.

É nessa fase que surgem as primeiras unidades produtoras de máquinas e implementos agrícolas no Brasil.

Os anos passam e é implantado um núcleo de indústrias desse setor formado por pequenas e médias empresas nacionais e por filiais de grupos internacionais.

Os trabalhos são voltados especialmente para a importação dos produtos – que torna-se mais regular a partir do século XX – e já passam a ser produzidos os primeiros tratores e máquinas agrícolas com tração mecânica.

Em 1919, uma unidade da montadora Ford instala-se na cidade de São Paulo-SP e passa a importar tratores.

Outras grandes empresas abrem filiais no Brasil, entre 1920 e 1940, e dedicam-se especialmente à importação de implementos, como é o caso da Kepler Weber, em 1925, no RS e da International Harvester, em 1926.

Surgem também as empresas nacionais, entre elas a Baldan, paulista e criada em 1928 para produzir arados de tração animal.

Segunda fase

Essa etapa é caracterizada por novos investimentos e por um crescimento acelerado do número de empresas do setor

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é o principal acontecimento da segunda fase da inserção das indústrias de máquinas e implementos agrícolas no Brasil, que foi de 1940 a 1975, e trouxe como principal consequência a limitação do processo de importação.

Com o processo de importação controlado, houve um estímulo às indústrias locais que produziam tais bens e também a elevação da produtividade agrícola, visto que existia uma demanda crescente por alimentos e insumos agrícolas por parte dos países envolvidos na Guerra.

Empresas gaúchas como a Fuchs, instalada em Ijuí, em 1942, e a Schneider Logemann (hoje, a John Deere), estabelecida em Horizontina, em 1945, são empresas que se destacaram pelo seu pioneirismo nesse período pós-guerra.

Aliado ao desenvolvimento do mesmo período é lançado o “Plano Nacional da Indústria de Tratores Agrícolas”, em 1959, com o objetivo de garantir a expansão dos investimentos em indústrias de máquinas e implementos agrícolas necessárias à crescente demanda.

O Plano contribuiu ainda para a criação de unidades brasileiras de tratores e apoiou a expansão da indústria de autopeças e componentes, que tornaram-se elementos decisivos para o desenvolvimento da indústria de máquinas e implementos agrícolas.

Em solo gaúcho, os novos investimentos orientaram-se preferencialmente para a região Noroeste, fazendo com que essa se tornasse o principal centro produtor do ramo no RS, em função da existência de um ambiente econômico favorável a esse tipo de atividade.

Terceira Fase

Por último, temos registros da terceira fase desse processo iniciada nos anos 80 e estendida até os dias de hoje.

Agora, as empresas já estão com suas capacidades produtivas ampliadas, com a criação de novas unidades e incremento nas já existentes. Verifica-se a entrada de mais empresas no mercado, movimento esse que é reflexo das fusões e aquisições ocorridas a nível mundial nos anos anteriores.

Hoje, o Brasil já e um dos maiores produtores agrícolas do mundo, devido a nossa extensão territorial e o clima propício para o desenvolvimento de soja, café, cana-de-açúcar e outros, principais cultivos do país. A exportação desses produtos rende milhões para a economia nacional.

Na propriedade agrícola, para se chegar à fase de comercialização de um determinado produto, é realizada uma série de atividades denominada operações agrícolas, que se inicia com o preparo do solo e termina com o produto em seu destino final.

Para cada uma dessas operações existem máquinas e implementos agrícolas específicos que garantem melhores resultados.

Os implementos agrícolas.

O preparo periódico do solo corresponde às movimentações de terra feitas com o objetivo de tornar a superfície regular e trabalhável, dando-lhe condições para receber sementes ou mudas de plantas cultivadas.

Essa parte é dividida em três etapas: preparo periódico primário, preparo periódico secundário e preparo periódico corretivo e para cada uma delas, existe um implemento adequado.

Correntão

É o método mais indicado para promover a derrubada de vegetação típica de cerrado e um dos mais baratos para derrubada em larga escala. Consiste na retirada da vegetação através da utilização de um correntão acoplado a dois tratores de grande porte.

De maneira geral, a distância entre os dois tratores nunca deverá ser maior que 1/3 do comprimento do correntão. Em cada uma das extremidades e a intervalos de 30 m deve ter “olho giratório” em todas as direções, evitando assim que se torça.

Lâmina

De características semelhantes aos correntões, as lâminas também podem ser utilizadas, entretanto o rendimento é menor do que a derrubada realizada pelo primeiro.

É mais utilizada como complemento derrubando as árvores maiores deixadas pelo correntão.

Destocador

Eliminam os tocos remanescentes de uma área, após a derrubada. Envolve a retirada da parte aérea do toco e de suas raízes até uma profundidade desejada, com o intuito de não prejudicar as operações posterior de preparo do terreno.

Enleirador

Implemento cuja função básica é amontoar ou empilhar o material lenhoso deixado na superfície do solo após a derrubada em leiras contínua.

Rolo Faca

Esse implemento é utilizado para o desmatamento de vegetação mais leve sem a presença de grandes árvores. Indicado para campos limpos, capoeiras ralas e cerrados fracos, o seu trabalho consiste em cortar, picar e incorporar a vegetação ao solo.

Arado

Os arados, utilizados no preparo periódico primário, podem ser de dois tipos: discos ou de aivecas. Embora exerçam funções parecidas, suas características distintas permitem diferenciar seu uso conforme a área em que irão operar.

O arado de disco é ideal para ser usado em solos secos, duros e pegajosos, com raízes e pedras, nos quais as aivecas apresentam dificuldades de operação.

O arado de aiveca produz uma inversão do solo melhor que a do arado de discos, mas apresenta restrições ao uso em solos com obstáculos, tais como pedras e tocos, caso não haja mecanismos de segurança com desarme automático.

O objetivo de utilizar arados nessa etapa é romper as camadas compactadas do solo e expor elas para que recebam luz solar e nutrientes, que também pode ser incorporados através de restos culturais e esterco.

Grade Niveladora

As grades niveladoras servem para complementar o serviço dos arados.

Elas podem ser classificadas em dois tipos: aradoras e niveladoras. A aradora realiza a aração e a gradagem numa mesma operação. São formadas por discos montados em eixos que giram em ângulo com a linha de tração. Possuem uma estrutura pesada, necessária à penetração dos discos no solo.

Já as niveladoras são utilizadas após a aração com o objetivo de destorroar, nivelar e adensar o solo. Existem grades de simples e de dupla ação.

As de simples ação são constituídas de dois conjuntos de discos dispostos lado a lado e as duplas quatro conjuntos em forma de duas parelhas. As de dupla ação podem ser destorroadoras ou niveladoras.

As grades de ação simples realizam a inversão do solo em apenas uma passada. Já as de dupla ação mobilizam o solo duas vezes, primeiro para fora e depois para dentro.

As que regulam a penetração do solo e deslocam-o formando um ‘‘V’’ são do tipo de dupla ação deslocada.

Enxada rotativa

As enxadas rotativas, da mesma forma, são capazes de suprir as necessidades do solo nesta etapa, ao realizarem cortes poucos profundos no solo.

Podendo também serem chamadas de rotocultivadores, apresentam uma característica de preparo bastante conhecida, a pulverização do solo. Essa pulverização pode ser ajustada efetuando as regulagens adequadas.

A caixa de transmissão recebe o movimento de tomada de potência através de um eixo do tipo cardan. Entre esse eixo e a caixa de transmissão existe uma embreagem de segurança de mutidisco que patinam no momento do impacto das enxadas com pedras ou tocos, protegendo o trator e o implemento.

São constituídas de um eixo perpendicular à direção de deslocamento da máquina, suportado por dois ou mais mancais. Neste eixo existem flanges nas quais encontram fixadas as facas ou lâminas, dispostas helicoidalmente de tal modo que apenas uma delas toque o solo por vez.

Os diversos tipos de enxadas rotativas atualmente em uso são constituídos, basicamente, de rotor com enxadas, caixa de transmissão e órgãos de regulagem e de proteção.

As regulagens que podem ser realizadas nas enxadas rotativas referem-se a três aspectos: de velocidade de avanço, de rotação das lâminas e de profundidade de trabalho.

A velocidade do trabalho influi diretamente na largura das fatias de solo cortadas pelas lâminas. A rotação das lâminas é variável e uma maior rotação delas para uma mesma velocidade trabalho proporciona um maior fraturamento do solo.

A profundidade de trabalho, por sua vez, depende do tamanho dos flanges e das lâminas e sua regulagem é obtida através do levantamento ou abaixamento das rodas de profundidade ou patins laterais.

Subsolador   

Os subsoladores são utilizados para romper camadas compactadas a profundidades maiores. São implementos que exigem alto consumo energético para sua utilização, provavelmente o maior entre as operações agrícolas.

Para obter melhor eficiência na operação, recomenda-se fazer a subsolagem antes do período das chuvas, quando o solo se encontrar mais seco. Além disso, pode ser necessário realizar duas passadas do subsolador, em sentido cruzado, para aumentar a eficiência da operação e quebrar o máximo possível da camada compactada.

Os subsoladores são implementos agrícolas usados quando se pretende que ocorra uma penetração no solo de 30 cm ou mais, enquanto que os escarificadores são destinados para profundidades menores na terra.

Escarificador

São implementos agrícolas de hastes robustas e pontiagudas presas a um chassi de duas ou três barras que revolvem pouco o solo, sem destruir seus agregados. Seu uso é recente entre os agricultores.

Vem obtendo sucesso junto àqueles que se preocupam em elevar a produtividade, evitando ao mesmo tempo a compactação do solo e a erosão. São considerados implementos para o preparo do solo, substituindo o arado e a grade.

Reduzem os riscos de erosão pela menor desagregação do solo e pelos resíduos que ficam na superfície, bem como pela maior infiltração de água.

Plaina Niveladora Multilâminas

A Plaina Niveladora Multilâminas executa um duplo serviço com o uso de apenas uma operação: preparo mínimo superficial do solo e aplainamento do mesmo.

Dessa forma estará pronto para plantio e livre de presença de cupins, murundus, sulcos, pisoteio de gado e outras irregularidades.

Com esse tipo de Plaina não é necessário fazer três operações (aração, gradeação e aplainamento) para preparar o solo.

A Plaina Niveladora Multilâminas, que possui um conjunto exclusivo de lâminas, é usada também para melhorar o desempenho de tratores, plantadeiras, pulverizadores e colheitadeiras.

Sulcador

Implemento destinado para abrir sulcos no solo, geralmente utilizado para o plantio de cana-de-açúcar.

Semeadora

Implemento agrícola que, quando acoplado a um trator, pode realizar a operação de semeadura, ou seja, quando ocorre a introdução de sementes de plantas no solo com vista ao seu desenvolvimento.

Plantadora

Implemento que realiza a operação de plantio de culturas.

Por vezes são utilizados os termos populares “semeadeira” e “plantadeira’’. Podemos dizer que “semeadeira” é a máquina para semear sementes miúdas, normalmente de culturas de inverno como aveia e trigo, e “plantadeira” a máquina utilizada com sementes graúdas, por exemplo, feijão, soja e milho.

Portanto, podemos deduzir que “semeadeira” e “plantadeira”, considerando as definições técnicas, tratam-se da mesma máquina: a semeadora, pois, ambas distribuem sementes.

A diferença está na forma de distribuição das sementes. E aí entram mais dois termos técnicos: “fluxo contínuo” e “de precisão”.

Semeadoras de fluxo contínuo dosam as sementes, como o próprio nome define, continuamente no sulco, com dosagem calculada em massa por distância percorrida. São utilizadas para sementes miúdas.

Já uma semeadora de precisão faz a distribuição de um número pré-determinado de sementes a cada metro de sulco, distribuindo a semente em espaços regulares, e por isso o uso do termo “precisão”. Com este tipo de máquina, normalmente são semeadas culturas como feijão, milho e soja.

Adubadora

Implemento que cuja função é colocar no solo sementes e adubos dentro da densidade, espaçamento e profundidade para um eficiente desenvolvimento produtivo.

Entre suas funções está abrir um sulco no solo, dosar a quantidade de sementes e posicioná-las no solo e, por fim, cobrir o sulco aberto e firmar o solo ao redor das sementes.

Carreta

As carretas podem trabalhar tanto no período do plantio, abastecendo as plantadeiras tanto com adubo quanto com sementes, e também no período da colheita, acompanhando as colheitadeiras no recolhimento dos grão.

Roçadeira

Implemento agrícola usado para aparar a grama ou pequenas ervas que dão em plantações. As roçadeiras podem ser usadas acopladas em tratores, essas são utilizadas em terrenos espaçosos, onde é possível a passagem de um maquinário de tal tamanho.

Já para pequenos cortes de grama ou até mesmo limpeza de locais estreitos, as roçadeiras elétricas ou à gasolina são mais do que suficientes, pois são mais simples e fáceis de serem usadas, além de mais baratas.

Pulverizador

Implemento nos quais os líquidos são bombeados sob pressão através de orifícios (bicos) e explodem ao serem lançados contra o ar, por descompressão.

Ceifadeira

Faz a retirar parte de plantas, arbustos e árvores, cortando-se ramos, rama ou braços inúteis.

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