Em abril deste ano, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ouviu 1.282 produtores rurais das mais diferentes regiões do país.

O objetivo era identificar as principais demandas e gargalos do segmento.

E o resultado mostrou que para 59,93% dos entrevistados o Crédito Rural é a demanda mais importante para o campo.

As atividades agrícolas, que não contam com nenhum retorno imediato perante todos os investimentos necessários, buscam na aquisição de Créditos Rurais uma opção para que as despesas cotidianas, com comercialização e com a expansão do negócio, possam ser financiadas.

Em 2019, faltando pouco mais de um mês para o término da safra 2018/2019, presenciamos a suspensão dos pedidos de financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

Ao todo, seis linhas de créditos foram suspensas, incluindo recursos extras que já haviam sido disponibilizados anteriormente.

Os recursos se esgotaram devido a grande demanda da temporada, que termina em 30 de junho.

Esses acontecimentos, o anúncio oficial dos recursos (previsto para acontecer em 12 de junho) e a aprovação pelo Congresso de um projeto que libera dinheiro para a subvenção do Crédito Rural, estão deixando produtores e entidades do setor Agro preocupados.

Apesar de ser um direito garantido por lei aos produtores e associações de produtores rurais, ainda existe uma série de desafios a serem enfrentados para que o Crédito Rural se torne a ferramenta efetiva que nasceu para ser.

O cumprimento desses desafios se torna ainda mais necessário no momento em que o Brasil já se configura como uma grande potência agrícola, com uma produção anual de cerca de 230 milhões de grãos e exportador de produtos e serviços para diversos países.

A seguir, citaremos os principais desafios enfrentados pelo produtor rural brasileiro para obtenção do Crédito Rural.

 

Exigências e burocracias: o motivo dos atrasos

Não apenas para custear despesas, mas também para a promoção de uma agropecuária sustentável.

Esses são apenas dois dos importantes papeis que o Crédito Rural cumpriria se fosse bem efetivado.

Mas por quais motivos ele não é? É o que responderemos abaixo.

 

Exigência de Assistência Técnica

Para solicitar crédito junto aos bancos, os produtores rurais precisam apresentar um projeto, que nada mais é do que um documento com informações bem específicas sobre a propriedade, os objetivos de uso do crédito, entre outras coisas.

Mas mais do que isso, é exigido que esse projeto seja produzido com o auxílio de uma assistência técnica.

O problema começa quando nas agências públicas de serviços de extensão e assistência técnica faltam equipes, em números e treinamentos, e recursos adequados para que sejam realizadas essas assistências, como transportes e verbas.

A contratação de agências privadas geralmente é cara e não está disponível na localidade do produtor.

Sendo assim, constatamos que os primeiros empecilhos começam logo na formulação do documento base para solicitar o Crédito Rural junto às instituições financeiras.

 

Dificuldade para cumprir Legislações Ambientais

Não somente para solicitar, mas para que consigam o crédito desejado, os produtores rurais precisam cumprir algumas legislações ambientais.

E os fatores que geralmente impedem os produtores de alcançar a conformidade ambiental são muitos.

Para eles, as legislações são confusas e até mesmo conflitantes entre diferentes normativas que tratam de um mesmo assunto.

Além disso, toda regularidade tem um custo.

Para ficar em dia com as leis ambientais, como reflorestamento e redução da produção para estabelecimento de áreas protegidas como reserva legal e área de proteção permanente, o produtor precisa desembolsar não somente quantias em dinheiro, mas mão de obra especializada para resolver tais tramites.

 

Exigências Fundiárias

Outras duas exigências impostas aos produtores são o título comprovado da terra e também a própria terra como garantia do empréstimo.

Pequenos e médios produtores são os mais afetados com essas condições, visto que muitos deles sofrem para conseguir o título permanente de suas terras, que geralmente está sendo disputado entre um ou mais donos.

A resolução das questões relacionadas à titulação de terras pode levar alguns anos e tem um alto custo.

Enquanto isso não se resolve, os produtores não conseguem acessar seus créditos a juros mais baixos.

 

Documentação necessária

‘‘Solicitar crédito envolve a apresentação de uma extensa documentação, como título, propriedade da terra, histórico de crédito, conformidade ambiental etc, obtida em diferentes órgãos (cartórios, agências governamentais, entre outros). Reunir os documentos necessários custa caro e, na maioria das vezes, é demorado’’.

Conhecimento das diferentes linhas de créditos disponíveis

Cada linha de crédito existente compreende especificidades onde um produtor irá se encaixar e outro não.

Na maioria dos casos, as agências bancárias não possuem mão de obra suficiente e nem especializada para divulgar as linhas de crédito e auxiliar os produtores a acessar aquelas que são mais adequadas a seu perfil agrícola.

 

Recebimento de crédito a tempo para finalizar produção

Além de toda burocracia existe no processo de solicitação de crédito, o tempo existente entre essa solicitação e recebê-lo de fato, varia consideravelmente.

Em certos casos, o tempo de espera leva até um ano.

Esse atraso pode impedir todo um ciclo de produção, caso o produtor não tenha recursos financeiros disponíveis no início do ciclo agrícola.

E você, já enfrentou alguns desses empecilhos para conseguir acesso ao seu Crédito Rural? Se sim, gostaria de relatar sua experiência para nós?

Se tiver interesse em mais conteúdos sobre o assunto, recomendamos os seguintes links:

>> Crédito Rural: dos conceitos às dificuldades de acesso

>> Seguros Rurais: o que você precisa saber para contrata um

Obrigado por nos acompanhar! Até a próxima!

Fontes: Canal Rural, Portal do Agronegócio e ”Crédito rural no Brasil: desafios e oportunidades para a promoção da agropecuária sustentável. (Desirée Lopes, Sarah Lowery e Tiago Luiz Cabral Peroba)”