Precisamos falar sobre pragas na lavoura e o quanto elas podem afetar o seu negócio e prejudicar suas noites de sono.

Especialistas afirmam que, somente o Brasil, pode vir a ser afetado por 600 tipos diferentes de pragas que farão estragos extraordinários nas plantações em que passarem.

Dessas 600, 150 já se encontram nos países da América do Sul.

E 10 delas, incluindo o Pulgão da Soja, a Mosca Branca Raça Q e a Necrose Letal do Milho, são as que mais chances têm de chegar até as lavouras brasileiras a qualquer momento.

Ou seja, as ameaças fitossanitárias estão cada vez mais eminentes e próximas de nós.

Pragas como a Helicoverpa Armigera, famosa por atacar lavouras de soja, milho e algodão, pode atingir mais de 180 espécies diferentes de plantas e já é uma realidade no nosso território.

E se os números de espécies existentes já assustam, imagina quando falarmos das perdas financeiras…

Em 2013, quando foi reportada para o Brasil, a Helicoverpa, sozinha, causou danos e perdas econômicas que ficaram em torno de U$2 bilhões nas lavouras de soja e algodão do país.

Na atual safra, já foram estimados prejuízos em torno dos 9 bilhões de reais devido as pragas nas lavouras.

São cerca de 45% de toda área plantada no Brasil sofrendo com plantas daninhas e outros tipos de pragas.

Para impedirmos que mais prejuízos venham a ocorrer e garantir que cada agricultor colha o que plantou precisamos adotar uma série de novas medidas.

O combate é possível e nem sempre precisa envolver novas tecnologias ou insumos químicos cada vez mais caros e que, no final das contas, podem prejudicar a saúde da planta.

Na verdade, boa parte dos problemas podem se resolver apenas com uma mudança de hábitos por parte de quem está gerindo os negócios.

E vamos explicar como a partir de agora.

Vale sempre lembrar que planta e produtor são um mecanismo só: quando o primeiro vai bem o outro vai melhor ainda!

Antes de sairmos pensando em medidas de controle e de erradicação das pragas que afetam a lavoura precisamos saber com quem, de fato, estamos lidando.

Das que atacam as folhas ou as raízes, das que se instauram no período de germinação ou aquelas que são responsáveis pelo crescimento anormal das folhas, todas impactam na produção e, consequentemente, no financeiro da atividade.

Para isso, é preciso reconhecer os tipos de pragas que podem afetar a sua plantação.

❌ Insetos: causam danos diretos às plantas como, por exemplo, os pulgões, gafanhotos e formigas. Atacam anualmente e podem ocorrer em todos os tipos de culturas. A mosca-branca é outro exemplo capaz de causar danos irreversíveis ao sistema agrícola.

❌ Plantas Daninhas: também chamadas de plantas invasoras, as daninhas se proliferam na entressafra e são resultado dos restos de plantações que ficam após a colheita ou dos grãos perdidos no transporte. Ao se infiltrarem, competem com as espécies plantadas e roubam seus nutrientes e água.

❌ Fungos: considerados os principais causadores de danos à agricultura no mundo todo, os fungos são caracterizados por mofos e bolores e podem atacar a planta desde o seu plantio até a formação de seus frutos. Grandes volumes de chuvas, umidade e temperaturas amenas são o cenário ideal para a formação dos fungos.

❌ Vírus e Bactérias: depois de espalhadas, as doenças causadas por vírus e bactérias são praticamente impossíveis de serem eliminadas. Sua presença é notada através de manchas de cores amareladas ou escuras dependendo do estágio em que se encontra.

A maioria das pragas que chegam até as lavouras podem ser vistas a olho nu. Se isso não for possível, a recomendação é levar algumas folhas para análise em centros especializados de doenças de plantas.

Foi a abertura das fronteiras terrestres e marítimas que possibilitou a entrada de pragas e patógenos no nosso país.

Os exemplos de plantações que já foram devastadas ou significativamente perdidas podem ser encontrados em qualquer lugar.

Ambientes sadios e biologicamente equilibrados funcionam perfeitamente como resistência ao surgimento e proliferação dos organismos causadores de doenças e de desequilíbrio populacional de espécies.

Falamos então de resistência biótica que deve ser encarada como mais uma importante ferramenta no manejo de pragas e não como uma medida isolada ou única.

Um ambiente fica desequilibrado quando recebe em excesso ou de forma incorreta produtos químicos. Isso destrói os inimigos naturais das pragas, baixando a resistência biótica das plantas e facilitando a entrada de novas doenças.

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) foi criado para controlar as doenças através de medidas que podem ser adotadas no dia-a-dia do produtor.

O MIP não pode ser aplicado se não houver monitoramento e identificação do tipo de praga que está na planta e nem da dimensão da sua grandeza.

Monitorar consiste em recolher amostragens frequentes das populações de pragas para saber se já chegou o momento em que essa população está causando prejuízos.

O monitoramento se faz necessário mesmo antes do início do plantio e auxilia na tomada de decisão diante do problema.

Monitorar os inimigos naturais das plantas também faz parte do processo.

O Manejo Integrado é composto por 5 tipos de controle:

✔ Controle Comportamental: quando adere-se ao uso de plantas armadilhas e plantas repelentes de doenças ou de semeoquímicos para interrupção do acasalamento e tecnologia para atrair e matar.

✔ Controle Cultural: é permanente na lavoura como ação preventiva, independente da presença ou não de pragas. Consiste em reduzir a disponibilidade de alimentos para a praga, evitando sua explosão populacional na entressafra, com a eliminação das plantas daninhas.

✔ Controle Genético e Varietal: através do uso de variedades transgênicas com mais de uma planta BT eficientes para o manejo da praga. As plantas BT desenvolvem proteínas que são tóxicas para insetos causadores de doenças.

✔ Controle Biológico: consiste no controle de pragas e insetos transmissores de doenças a partir do uso dos seus inimigos naturais, como outros insetos benéficos.

✔ Controle Químico: com o uso de insumos químicos em favor de inimigos naturais e polinizadores. É indicado o uso de inseticidas seletivos, que reduzem a população de pragas, mas não reduzem a população de inimigos naturais.

O controle químico é outra forma de controle de pragas e plantas invasoras que falaremos agora.

Com as ações químicas destacamos o uso de herbicidas, fungicidas e inseticidas, cada um com suas formas de ação, especificidades e toxidade, dependendo do tipo de cultura que será aplicado.

Vamos a eles:

✔ Herbicidas: substância química usada para o controle de plantas daninhas. O insumo bloqueia a germinação das sementes, impede seu desenvolvimento e desidrata folhas e caules das plantas invasoras. Os herbicidas de uso mais comum são os à base de glifosato, herbicidas não seletivos e que, por isso mesmo, eliminam qualquer tipo de planta sem distinção.

✔ Fungicidas: composto químico usado para eliminar fungos causadores de doenças, que são os maiores responsáveis pela perda de produtividade nas lavouras em todo o mundo. O produto controla e impede a proliferação de mais fungos e pode ser aplicado desde o tratamento das sementes até o pós-colheita, respeitando as particularidades da planta e do ambiente. Podem ser classificados em químicos e biológicos, sendo o segundo mais sustentável e seguro para o meio ambiente.

✔ Inseticidas: considerado um dos principais fatores para garantia da produtividade agrícola, até o século passado, os inseticidas controlam as infestações de insetos, responsáveis pela perda de produtividade e por matarem a lavoura atacada, que acaba servindo de alimento para o inseto hospedeiro.

O controle de pragas com soluções químicas requer muitos cuidados e deve sempre ser orientado por profissionais capacitados.

É indispensável o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) desde o manuseio até a aplicação dos produtos, como forma de garantir a [segurança e a saúde dos produtores rurais] e dos demais trabalhadores envolvidos.

Por serem substâncias químicas, nunca deverão ser aplicadas doses maiores que as recomendadas, visto que quantidades exageradas prejudicam a fertilidade do solo e aumentam a resistência de plantas invasoras ou demais agentes causadores de doenças na lavoura.

Equipamentos aplicadores sempre ajustados e limpos garantem a eficiência do processo.

E a periodicidade das aplicações deve ser rigorosamente seguida.

Dessa forma, alinhando monitoramento, práticas sustentáveis e estudo das melhores formas de prevenção e controle de pragas e doenças nas lavouras, a produção estará garantida e o produtor tranquilo.

 

Fontes: Adama Brasil, Embrapa, Grupo Cultivar, Multitécnica: Fertilizantes, Ingredientes e Aditivos e Senar Brasil.