“Temos o custo de levar um produto de Mato Grosso para o porto que é o dobro do gasto para levar do porto para a China”. (Marcelo Vieira, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), durante o Fórum Estadão Agronegócio Sustentável).

A importância do agronegócio para o momento econômico atual do país é convicção que predomina em toda a cadeia.

Ainda em outubro, o agro já havia sido responsável por movimentar mais de 9 bilhões de dólares somente com exportações.

Importantes mercados, como a China, foram conquistados e pelo segundo ano agrícola consecutivo a produção brasileira atingiu pontos históricos de produção, especialmente com a Soja.

O Brasil foi ainda beneficiado com a conjuntura financeira de outros países, como a crise comercial entre os americanos e os asiáticos e a trágica seca que abalou a Argentina.

Em parte, a fama de país primitivo e não desenvolvido foi deixada de lado com a incorporação de muita tecnologia e com o aperfeiçoamento de algumas práticas.

Em resumo, o Brasil está mostrando porque é chamado de potência agrícola. Se não fosse uma questão… As ameaças a nossa competitividade.

O Brasil perde competitividade no agronegócio devido a sua logística falha.

Embora o montante levantado com exportações seja bem significante, ainda há espaço e oportunidades para avançar mais.

E é sobre o que trava o agronegócio do Brasil de ser melhor posicionado e o que pode ser feito para melhorar isso que falaremos a seguir.

Os altos custos para produzir, escoar e exportar estão entre os maiores entraves na competitividade do agronegócio brasileiro.

Essas questões também foram levantadas em uma pesquisa que elaboramos para descobrir quais eram as maiores dificuldades enfrentadas pelo público que nos segue.

O Brasil é um dos principais países que reúne todas as condições para ser uma potência agrícola.

Localização geográfica, clima diversificado, água e produtividade fazem com que o que é produzido aqui atenda grande parte da demanda mundial por alimentos.

Além disso, somos um dos poucos países que ainda possuí terras cultiváveis. São cerca de 15 milhões de hectares, segundo estudos da Embrapa.

O que ainda precisa ser melhorado é a logística que envolve o escoamento da produção agrícola.

Dois anos antes da produção da maior safra do país, a de 2016/2017, o Brasil teve um déficit de capacidade de embarque de 64 milhões de toneladas de grãos.

A nova safra, que teve seu plantio iniciado há cerca de um mês na maior parte das regiões agrícolas, tem tudo para ultrapassar o ritmo de produção de 2018.

Mas caso não aconteçam melhorias em nossos meios de transportes, principalmente na modalidade portuária, “vamos ter todo esse potencial jogado fora”, como afirma Luiz Fayet, consultor de logística e infraestrutura da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Fayet explica que o agronegócio nasceu e se desenvolveu na Região Sul do país, mas que com a possibilidade de ocupação de novas áreas migrou para o Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

As novas regiões ocupadas eram desprovidas de infraestrutura adequada para abrigar a geografia agrícola que se formava.

Desde então, o potencial hidroviário para fazer a produção sair da lavoura foi totalmente negligenciado.

Com isso, além das precárias condições das rodovias, o produtor rural viu seus custos logísticos encarecerem cada vez mais.

Hoje, pagamos 4 vezes mais para exportar nossos produtos do que a Argentina e os Estados Unidos, por exemplo.

E são esses altos custos que roubam a competitividade do agronegócio brasileiro.

>>> Em nosso Blog você encontra um artigo mais aprofundado sobre os custos da produção agrícola. Para acessá-lo, você pode clicar aqui.

O consultor continua: “O problema mais grave é o Apagão Portuário. Não escoamos nossa produção pelas rotas mais racionais” que seriam os portos de São Luis, Belém, Macapá, Santarém e Itacoatiara.

De acordo com estudos feitos pela Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE), da Embrapa, se os problemas referentes ao escoamento dos produtos do agronegócio fossem solucionados, os produtores rurais teriam um ganho de cerca de 35%.

Gustavo Spadotti, analista do GITE, critica que o país pouco investe em logística e que até esse pouco é mal investido.

Ele lembrou ainda o percurso que a produção faz ao ser transportada das regiões Sul e Sudeste para o Centro-Oeste, aumentando a dificuldade do transportes.

Trajetos difíceis ocasionam perdas irreparáveis na economia.

O transporte rodoviário está em segundo lugar nas causas responsáveis pela perda total da safra de grãos no Brasil.

>>> Esses e outros dados estão disponíveis no nosso artigo ‘‘Os 5 desafios do transportes de grãos no Brasil’’. Leia-0 aqui.

Um (péssimo) exemplo disso é BR 163. A rodovia possui quase 3.500 km de extensão e liga o município de Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a cidade de Santarém, no Pará.

Apesar de ser um importante corredor para o escoamento da produção agrícola brasileira, as promessas de pavimentação e manutenção dela se arrastam pelo nono governo federal consecutivo.

No início do mês, no Pará, caminhoneiros foram obrigados a interromper seu trabalho devido ao grande atoleiro que se formou na rodovia.

Alguns motoristas chegaram a ficar mais de 24 horas estacionados.

Os especialistas aqui citados afirmam ainda que a burocracia e a insegurança jurídica, como a restrição a compras de navios produzidos no exterior, afastam as soluções para estes gargalos.

Outro ponto que se torna importante destacar é a concentração das exportações agrícolas, a maioria nas commodities.

Elas dependem de preços internacionais e do câmbio e são negociadas nos mercados importadores com tarifas mais altas.

“O Brasil negociou poucos acordos comerciais para baixar essas tarifas, o que nos coloca em desvantagem perante concorrentes. Além disso, os requisitos sanitários e fitossanitários nos países importadores, que impõem exigências adicionais àquelas aplicadas no mercado interno, podem representar mais um obstáculo”. (Gazeta do Povo).

Essa relação, da mesma forma que em outros setores, é bem estreita no agronegócio.

Para empresários e empreendedores são dois dos fatores mais desejados nos negócios.

Por competitividade entendemos a capacidade de determinada empresa ou serviço conseguir resultados melhores que seus concorrentes.

Muito além de oferecer serviços mais ou ainda, o quanto é capaz de se diferenciar.

Já a inovação é o caminho para sair na frente dos concorrentes. Empresas e serviços que inovam oferecem produtos e soluções diferenciados aos seus clientes.

No agronegócio, as duas vertentes caminham juntas quando há um esforço coletivo para reduzir os custos de produção do meu produto e maximizar os resultados.

Investir em tecnologia, não somente no produto final, mas em todos os processos da lavoura, pode levar a patamares inovadores livres de competidores.

Isso nos leva a afirmar que “a competitividade pode ser adquirida tanto pela inovação de produtos como por meio da inovação de processos internos”. (SAG- Software Agroindustrial).

Na era da informação que vivemos, seja qual for a forma que o produtor rural usar isso a seu favor estará contribuindo para o aumento da sua competitividade.

Uma maneira de fazer isso é adotar sistemas de gestão de dados para aumento do seu lucro a partir da assertividade nas aplicações.

Marcelo Vieira é presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e afirmou nesta semana, durante o Fórum Estadão Agronegócio Sustentável, que o “país tem agricultura suficiente, porém a mais fechada do Planeta”.

Na fala, Vieira defendeu que o Brasil precisa abrir mais seus mercados, mesmo com os atuais custos para os produtos chegarem das fazendas aos portos.

Como esperado, o presidente citou a infraestrutura e a logística precária de transportes que dependemos e as regulamentações exageradas também em relação aos defensivos.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em uma tentativa de fechar os gargalos da competitividade logística do agronegócio brasileiro lançou uma plataforma online.

É o Sistema de Inteligência Territorial Estratégica da Macrologística Agropecuária. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com a Embrapa Territorial.

Por meio dela, os produtores e caminhoneiros podem acompanhar o trajeto dos principais produtos da agricultura e da pecuária nacional e decidir a melhor rota para escoar a produção.

As dez principais cadeias agropecuárias brasileiras são soja, milho, café, laranja, cana-de-açúcar, algodão, papel, celulose, aves, suínos e bovinos. Juntas, representam 90% de tudo que é exportado.

Essa separação é feita porque, de acordo com Spadotti, cada uma delas tem sua logística e funcionamento, como rotas, locais de processamento e portos específicos.

A plataforma tem o objetivo de ampliar a competitividade desses artefatos, disponibilizando os modais de transportes, bem como as condições de armazenagem e processamento indicados para cada carga até o porto.

Os criadores do sistema destacam o uso da tecnologia de inteligência, gestão e monitoramento com o propósito único de aumentar o ganho em competitividade dos setores.

E de fato, essas são as principais saídas para o agronegócio.

A eficiência do processo logístico brasileiro será aumentada quando o investimento em tecnologia tornar-se majoritário e quando modais ultrapassados, como o rodoviário, forem deixados de lado.

Otimizar vias de escoamento mais inteligentes e baratas é assunto para ontem.

Além disso, o Brasil tem o dever de assumir adaptações estratégicas em busca da eficiência competitiva para frear de vez as perdas anuais ocasionadas por investimentos mal ou não feitos.

Fontes: Gazeta do Povo, Blog SAG- Software Industrial, Portal do Agronegócio, Folha de São Paulo, G1. Globo, Globo Rural e Sociedade Nacional de Agricultura.