Todos os fatores que afetam a produtividade da lavoura precisam ser eliminados ou, ao menos, diminuídos.

A compactação do solo está entre esses fatores, pois, além de outras coisas, impede a infiltração de água e faz com que raízes e plantas não se desenvolvam perfeitamente.

As consequências são lavouras sem qualidade e com baixa produção.

O tráfego de máquinas e implementos agrícolas está entre os motivos que ocasionam a compactação do solo.

O fato de produção e produtividade correrem o risco de serem afetadas já torna fundamental o entendimento das causas e das consequências do fenômeno denominado Compactação do Solo.

No decorrer do texto, falaremos como identificar um solo compacto, seus danos para a agricultura e como evitar esse tipo de problema na sua lavoura.

Tudo que é em excesso faz mal. Esse conceito é válido para todos os aspectos da nossa vida e com os solos que abrigam as nossas plantações não é diferente.

Entendido como um dos principais processos de degradação da terra, a compactação compreende fatores internos do solo, como suas características físicas, e fatores externos, como o peso que é aplicado na sua superfície.

As plantas gostam e até precisam que o solo seja compacto, pois assim terão mais contato com a terra e absorverão água e nutrientes de maneira mais fácil e eficiente.

Porém, quando há excesso de compactação, os problemas no desenvolvimento das suas raízes começam a aparecer e na absorção de água e nutrientes também.

Aqui, se faz necessário diferenciarmos adensamento de compactação e as suas influências na densidade dos solos.

Quando o aumento da densidade do solo for causado por fatores internos, o processo receberá o nome de adensamento.

A migração de um acúmulo de argila das camadas superficiais para as camadas mais baixas é um exemplo disso.

A argila é uma substância impermeável natural do solo. Suas partículas são muito unidas e seus poros se fecham, de tal maneira que a água não passa por ela, reduzindo a permeabilidade daquele pedaço de terra.

Sendo assim, este é um dos efeitos naturais agravadores que afeta a produção das culturas e a qualidade solo.

a compactação é sempre causada por fatores externos, que geram camadas menos permeáveis, devido ao tráfego de máquinas e implementos e também a passagem de animais.

Dessa forma, concluímos que o preparo do solo influi diretamente na formação de áreas compactadas.

Quando um solo está compactado:

❌ As culturas e as raízes passam a se desenvolver menos;

❌ É percebível uma redução na produtividade e uma

❌ Dificuldade de infiltração de água, com a formação de enormes poças no pós-chuva.

Estas alterações podem ser percebidas visualmente, observando-se as áreas que se encontram encharcadas ou com plantas mal desenvolvidas, mas também através de equipamentos de análises de laboratórios.

Os equipamentos penetram o solo e armazenam informações durante a penetração de cada centímetro estudado.

Outro método bastante usado é a Resistência Mecânica do Solo à Penetração (RMSP).

Com o auxilio de penetrômetros, instrumento de controle usado para qualificar e quantificar a compactação de um material, avalia-se qual o grau de resistência de certo pedaço de terra quando penetrado o instrumento.

Esse método é mais ágil porque os resultados são obtidos em menor tempo e é mais confortável para o agricultor realiza-lo.

Já sabemos que o tráfego de máquinas e implementos é um dos principais fatores que torna um solo compactado.

Entretanto, sem máquinas e implementos agrícolas não há produção. E se não há produção, toda uma sociedade paralisa.

Dessa forma, surge um dos maiores desafios da agricultura atual que é adaptar da melhor forma o conjunto formado por trator e implemento agrícola e evitar a compactação do solo.

É de extrema importância que a pessoa responsável por conduzir estes maquinários tenha conhecimento da relação de força e de potência que um implemento requer para que seja escolhido o trator com a melhor compatibilidade para guiá-lo.

Quando máquinas e implementos trafegam juntos, em condições adequadas, o trabalho rende e o solo não sofre com inúmeras passadas ou remoção de terra.

Esse é um exemplo de adaptação que vai ser responsável por melhorar a performance da produção e, consequentemente, a conservação do solo e dos equipamentos.

Outro componente que não pode ser esquecido são os pneus. Eles são os primeiros a estarem em contato direto com o solo e sustentam todo o peso das máquinas que transportam.

Pneus mal calibrados não distribuem o peso das máquinas corretamente, além de fazerem com que as máquinas consumam mais tempo e combustível.

É possível ainda que haja a formação de sulcos no solo, causados pela passagem de máquinas com pesos mal distribuídos.

Onde há sulcos nada cresce e a água estagna, possibilitando o afogamento das plantas e o surgimento de doenças.

Por isso, os pneus escolhidos devem suportar enormes pesos sem que para isso exerçam pressões exageradas na terra.

Pneus do tipo radiais são os mais adequados, pois reduzem visivelmente a compactação dos solos e melhoram a capacidade de tração de máquinas e implementos.

Estes pneus, quando comparados aos diagonais, são capazes de suportar maiores cargas e possuem 36% a mais de área de contato com o solo, o que permite que o peso da carga seja melhor repartido.

O sistema de plantio direto também está entre as práticas que evitam a compactação do solo, já que aqui a ideia é remover o menos possível a terra antes de torna-la cultivável.

rotação de culturas, por possibilitar a presença de diferentes espécies de plantas e raízes em um mesmo solo, da mesma forma contribui para a redução da compactação, pois diversifica a estrutura física do solo.

Para que plantas e raízes se desenvolvam normalmente, com bons níveis de água armazenados e sem a presença de doenças associadas à compactação, o manejo sustentável não pode ficar de fora.

O solo é um organismo vivo e, como todo organismo vivo, precisa ter a sua ‘‘saúde’’ preservada.

Para isso, ele precisa ser frequentemente acompanhado e ter suas propriedades físicas preservadas, como sua estrutura, sua textura e sua consistência.

 

Fontes: Successful Farming Brasil, Michelin Pneus, Revista Máquinas Cultivar.