Preço da soja teve altas na bolsa de Chicago nesta segunda-feira (18). O crescimento nas demandas doméstica e externa por farelo de soja incentivou indústrias nacionais a elevarem as aquisições de soja em grão nos últimos dias. Além disso, existem preocupações com o clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos. 

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que esse cenário acirrou a competitividade entre esses demandantes e importadores, os quais, por sua vez, foram atraídos pelo grão nacional, tendo em vista a valorização do dólar frente ao Real e a necessidade de completar cargas para embarque imediato. No entanto, a alta do frete rodoviário limitou as vendas do grão para exportação, uma vez que esse contexto tornou as comercializações em mercados regionais mais remuneradoras aos vendedores.

Os demais grãos também sobem em Chicago, bem como o farelo de soja, porém, de forma mais contida. 

Apesar do suporte no clima, o mercado de grãos – bem como o de commodities de uma forma geral – ainda monitora os temores que o mercado carrega sobre a recessão, a Covid-19 na China e o futuro incerto da economia global.

Em um cenário maior, olhando para a safra 2022/23, a expectativa é que os preços seguirão em patamares elevados historicamente, mas algum arrefecimento é esperado diante da expectativa de aumento da produção em importantes países produtores e exportadores. 

De acordo com o USDA, a produção de soja no mundo deverá aumentar 11%, somando 391 milhões de toneladas. Além de considerar um crescimento de 2% na produção dos Estados Unidos, tal cenário pondera que a safra na América do Sul deverá alcançar 208 milhões de toneladas, aumento de 20% sobre a safra passada. Ainda assim, a relação estoque/uso deverá oscilar ao redor de 26%, nível abaixo das safras anteriores, embora superior ao da 2021/22.

Fonte: Cepea