A tradição gaúcha no desenvolvimento de
máquinas e implementos agrícolas

A agropecuária sempre faz parte da tradição e da economia do Rio Grande do Sul. Inclusive, foram as charqueadas que impulsionaram o desenvolvimento econômico por um longo período de sua história e que praticamente se extinguiram no século XX, quando o Estado deu inicio ao processo de desenvolvimento agrícola, o que o levaria a ser conhecido como Celeiro do Brasil.

No inicio, as coisas não eram fáceis, pois todos os equipamentos utilizados no cultivo da terra, como enxadas, foices, arados e carroças eram fabricados em pequenas ferrarias, um trabalho artesanal e em pequena escala, e que ainda existe em algumas cidades do interior. Os ferreiros, ao mesmo tempo em que moldavam os equipamentos ao calor do fogo moldavam também os rumos da indústria gaúcha, que levaria o Estado a se tornar um dos maiores fabricantes de máquinas e implementos agrícolas do Brasil.  

“O Rio Grande do Sul sempre teve vocação para a indústria de máquinas e implementos agrícolas”, afirma Luiz Fernando Coelho de Souza, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A tradição começou a ser moldada nas pequenas ferrarias do interior, cuja principal atividade era a de preparar relhas para os arados de aiveca de tração animal importados da Europa, cultivadores e ferramentas manuais.

De acordo com o professor Coelho, que também é coordenador da Comissão Julgadora do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, até 1950, todos os tratores existentes nas lavouras brasileiras eram importados, bem como, a maior parte dos implementos, embora alguns destes já fossem fabricados nessas pequenas ferrarias. “O grande avanço da mecanização agrícola brasileira – e em especial a gaúcha, que na ocasião era a mais importante – aconteceu a partir da década de 1960, com a implantação do Plano de Metas pelo governo JK, que tinha como ponto principal a instituição da indústria de tratores do Brasil”, revela Coelho de Souza. 

Entre as décadas de 1940 e 1970, havia, em solo gaúcho, cerca de cem indústrias de máquinas e implementos agrícolas nacionais, entre elas a SLC, Sfil, Fras-le, Agrisa, Lavrale, Fankhauser, Jan, Semeato, Fuchs, Ritter, Kepler Weber entre outras. “Essa indústria manteve-se apesar das grandes dificuldades enfrentadas como a maxidesvalorização do dólar imposta no governo Collor, que quebrou muitas que tinham se comprometido com empréstimos, estimulados pelo próprio governo, em dólar”, aponta Colho de Souza. 

Tecnologia de ponta: professor Coelho revela que a tradição  gaúcha sempre esteve presente e à frente da maioria das empresas nacionais, sendo que nos últimos 50 anos, as indústrias passaram de fabricantes de implementos de preparo do solo –  de baixa tecnologia – , a fabricantes de máquinas sofisticadas, dotadas de uma eletrônica embarcada e informatização de última geração. “Nossas máquinas agrícolas –  fabricadas no Brasil e no Rio Grande do Sul, em especial – concorrem com outras de qualquer país desenvolvido”, afirma o professor, ressaltando que a indústria gaúcha não só acompanhou a evolução dos equipamentos, métodos e processos utilizados na agricultura mundial, como colaborou efetivamente no seu desenvolvimento. “Começamos fabricando máquinas de preparo do solo e passamos a fabricar equipamentos que corrigiam os estragos provocados pelos primeiros, em termos de perda de fertilidade e degradação dos solos agrícolas. Fomos os primeiros a adotar o sistema de plantio direto e fabricamos máquinas, antes de qualquer outra indústria no Brasil para este sistema e produzimos hoje, equipamentos com alta tecnologia para a agricultura de precisão” enfatiza. 

Outro fator importante da indústria gaúcha refere-se à geração de emprego e renda, sendo, inclusive, sustentação econômica dos municípios onde as empresas se localizam. Também, vale destacar o reconhecimento do Prêmio Gerdau Melhores da Terra, a maior premiação para o setor de máquinas e equipamentos agrícolas da América do Sul, que há 29 anos valoriza a indústria de máquinas e equipamentos, alinhados às necessidades dos produtores. 

A tecnologia aplicada na produção, transporte e armazenagem de produtos agrícolas, tem possibilitado o avanço vertiginoso brasileiro “Embora com gargalos enormes de infraestrutura, temos batido todos os recordes possíveis de produtividade”, diz o Professor, comentando que, segundo prognósticos da Conab, em 2020, a produção atingirá cerca de 175 milhões de toneladas de grãos com o aumento de apenas 9% da área de cultivo graças à produtividade, alcançada via mecanização agrícola, pesquisa agronômica e conhecimento.

Pionerismo: entre as indústrias pioneiras na produção de implementos agrícolas está a Schneider Logermann & Cia. “A fábrica da SLC, em Horizontina, foi a pioneira na produção de colhedoras no Brasil, com a produção do modelo 65-A em 1965, baseada em um modelo da John Deere”, revela Carlos Newton Graminha, gerente de contas Estratégicas – Cana para a América Latina da John Deere adquiriu 20% do capital da empresa brasileira.

“A primeira fábrica da John Deere no continente foi construída em Rosário, na Argentina, em 1058. O Uruguai e o Paraguai também têm produção agrícola forte e mercados de equipamentos com presença destacada da John Deere, o que torna o Rio Grande do Sul uma localização favorável para a produção de equipamentos agrícolas”, comenta Graminha. Em 2008, a John Deere inaugurou a fábrica de tratores em Montenegro, cidade escolhida em função da sinergia com a fábrica de Horizontina, o grande número de indústrias fornecedoras de peças e componentes e a especialização da mão de obra. É da unidade de Montenegro que saem os tratores encontrados nos canaviais brasileiros, onde a grande demanda do setor por modelos determinados levou a um trabalho em conjunto de projeto de alguns modelos “canavieiros” com características próprias, como a bitola mais larga para o não pisoteio das soqueiras e freio pneumático. Com estas características, a John Deere tem cinco modelos com potência de 165 cv até 225 cv, todos preparados para receber piloto automático. 

“Há um diálogo e uma troca de informações constante entre a empresa e os técnicos das indústrias do setor para que os produtos atendam às necessidades. A ligação com o Grupo de Motomecanização do Setor Sucroalcooeiro, Gmec, que reúne técnicos das usinas do país é um exemplo. Eles tiveram participação especial no recente lançamento do trator 6180J, com motor de 180cv, projetado de acordo com as sugestões e as necessidades do setor sucroenergético”, explica Graminha. 

Tecnologia de irrigação: em 1947, Alfredo Arnaldo Fockink, começou com uma oficina para rebobinagem de motores elétricos, empreendimento vitorioso que graças ao trabalho, dedicação e ajuda dos colaboradores formou as bases de um dos maiores sucessos empresariais do Sul do País. 

Hoje o Grupo Fockink é referência nacional e internacional nas 12 linhas de produtos em que atua, como pivôs de irrigação, painéis elétricos de força e comando, instalações elétricas industriais e agroindustriais entre outras. “O principal fator de sucesso das empresas em solo gaúcho, é o perfil empreendedor de seu povo, características que não obteria resposta sem a qualificação da mão de obra, a pró-atividade das pessoas em buscar conhecimento e a especialização, visando o alto desempenho em suas funções, independente do nível hierárquico”, explica Ragde Venquiarutti Paz, publicitário do departamento de marketing de Grupo Fockink. “É extremamente importante salientar que temos, no Estado, instituições de formação e aperfeiçoamento técnico que trabalham em conjunto com as industrias, oferecendo conhecimentos específicos conforme a aptidão de produção de cada região, formando e lapidando talentos de vários setores industriais, colaborando de forma muito expressiva na formação de profissionais diferenciados”, acrescenta. 

“Para a cultura canavieira a Fockink desenvolveu o pivô central e o linear utilizando o aço inoxidável, com padrão especifico para aplicação da vinhaça”, revela Paz. Além da irrigação, a Fockink disponibiliza outros produtos/serviços voltados para o setor sucroenergético, como instalações elétricas e mecânicas em unidades de beneficiamento da cana, painéis elétricos de força e comando, automação industrial e transformadores de potência, bem como, subestações de média e baixa tensão. 

Mão de obra qualificada: quando a AGCO adquiriu marcas Massey Ferguson (1996) e Sfil (2007), com suas fábricas no Rio Grande do Sul, sabia o quanto as duas empresas haviam contribuído historicamente com o crescimento da participação estadual da produção industrial. “Se analisarmos este processo o Rio Grande do Sul vem apresentando ascensão na indústria agrícola desde meados do século XX. Para se ter uma ideia, na década de 1950, o Estado era responsável por 11% da produção brasileira de máquinas e implementos passando para 32% na década de 70”, revela Fábio Piltcher, diretor de marketing da AGCO para a América do Sul.

Desde então, muitas empresas passaram a observar o crescimento do Estado e adquiriram e investiram em marcas que se fortaleceram nos mercados interno e externo com a participação da mão de obra gaúcha. “A partir disso, o dinamismo deste processo contribuiu com o desenvolvimento tecnológico das unidades fabris, ampliando a capacidade de produção no Rio Grande do Sul”, aponta Piltcher, comentando que, se não fosse a tradição e a qualificação da mão de obra gaúcha, companhias como a AGCO não teriam voltado os olhos para o Estado. Isso, porque o Rio Grande do Sul só se destacou historicamente no desenvolvimento agrícola nacional, graças ao empenho de trabalho do povo gaúcho.

Hoje, a AGCO possui três unidades fabris no Estado; tratores Massey Ferguson, em Canoas, implementos Valtra e Massey Ferguson, em Ibirubá, Colhedoras Massey Ferguson e Valtra, em Canoas. “Atualmente, nossas marcas representam cerca de 50% do mercado nacional de tratores, liderando o ranking brasileiro. O Rio Grande do Sul participa com quase 15% deste volume de comercialização. Já em colhedoras, o Estado é responsável por 30% do mercado nacional”, explica Piltcher. 

Tecnologia para a cultura canavieira: entre os produtos AGCO fabricados no Estado, estão os tratores da Série MF 7100, indicados ao setor canavieiro e que contam com eixos com bitolas de três metros, assim a máquina evita o pisoteio das soqueiras, causando um menor dano a lavoura e por consequência maior produtividade. Também, há os tratores MF 7000 Dyna-6, que estão equipados com a transmissão inteligente, que permite selecionar automaticamente a marcha com a melhor relação entre economia e desempenho. “A transmissão Dyna-6 utiliza quatro grupos sincronizados de troca automatizada, cada uma com seis velocidades para frente e 24 velocidades para trás, sem a necessidade do uso do pedal de embreagem”, explica Piltcher. A troca de marchas pode ser completamente automática controlada pelo sistema eletrônico do trator ou de forma manual. Outro destaque do portfólio fabricado em solo gaúcho e também indicado para a cana-de-açúcar são os pulverizadores MF 9030 e Valtra BS3020H, disponíveis na rede de concessionárias Massey Ferguson e Valtra desde a primeira semana de maio. 

Na área de agricultura de precisão, a divisão de tecnologia da AGCO ATS, desenvolveu conceitos inovadores que têm como objetivo otimizar o sistema de plantio de cana-de-açúcar , garantindo eficiência em todas as etapas do cultivo. “Os conceitos de Sistema de operações Integradas e Tráfego Controlado surgiu da necessidade de minimizar a compactação no solo e pisoteio na cultura  por meio do uso de tecnologias de direcionamento automático, como o piloto automático System 150, melhorando também a eficiência das máquinas agrícolas e das condições da superfície pela diminuição da área compactada”, observa Piltcher. 

Implementos rodoviários: em meados do século passado, o empreendedor Ângelo Francisco Guerra escoava a produção da região serrana gaúcha para cidades maiores através de veículos com tração animal, quando percebeu a necessidade de implementos nos caminhões, que começavam a substituir esse meio rústico de transporte. Dessa forma em 1970, ele funda, em Caxias do Sul, a Guerra Implementos Rodoviários, empresa que hoje, através da recente expansão das operações para Farroupilha, RS, e também Guarulhos, SP, visando atender a grande parcela de clientes localizada na região Sudeste, chegou ao posto de segunda maior fabricante de implementos rodoviários da América Latina. 

De acordo com o diretor industrial do Grupo Guerra, Fábio Paludo, entre os fatores que culminaram no sucesso e na manutenção da empresa em solo gaúcho estão, a qualificação da mão de obra e infraestrutura oferecida. “O empreendedorismo dos gaúchos, entre eles, os italianos e alemães, fez com que a região da Serra Gaúcha desenvolvesse uma indústria muito forte, competitiva, atualizada tecnologicamente e que se retroalimenta, ampliando cada vez mais o nível de atividade industrial, já que grande parte dos fornecedores das indústrias locais está estabelecida na mesma cidade ou nas proximidades”, explica Paludo. 

A Guerra conta com uma linha diversificada de produtos, que inclui furgões, tanques, baús lonados, graneleiros, carga seca, florestal, canavieiros, portacontâineres e basculantes, entre outros, nos modelos semirreboques, bitrens, rodotrens e sobrechassi. Entre as novidades da empresta, está a CVC Rodotrem Canavieiro lançado na ultima Agrishow. “O equipamento é destaque pela redução de tara de 2.520kg e aumento da capacidade volumétrica para 189 metros cúbicos”, revela Paludo, comentando que o içamento de caixa de carga também é diferenciado do modelo convencional, com maior facilidade na descarga, além de reduzir em 50% o tamanho das correntes.

Na linha de escoamento da produção das usinas, o Grupo oferece o semi-reboques tanques para transporte de combustível (etanol), semi-reboques basculantes, para o transporte de açúcar a granel e semi-reboques carga geral, para transporte de açúcar ensacado, implementos que participam com aproximadamente 15% do faturamento da empresa.

A maior fabricante de reboques e semireboques na América Latina, a Randon, também é gaúcha, nasceu em Caxias do Sul há mais de 60 anos. No setor sucroenergetico, segundo o diretor em Tecnologia e Exportação da Rnadon, César Pissetti, a empresa vem investindo fortemente desde o ProÁlcool, com equipamentos voltados ao transporte da cana picada, açúcar e álcool. “Hoje, o carro-chefe das vendas é o rodatrem”, revela. O equipamento é composto por um semirreboque de dois eixos mais um reboque de quatro eixos, ambos com 12,50 m de comprimento, com capacidade de carga de aproximadamente 180m³ de cana picada. Por ano, são fabricados de quatro a cinco mil unidades do rodotrem e a participação de mercado, segundo Pissettti, varia de 36% a 42% no transporte de cargas pesadas de cana. “No Brasil, a carga mais transportada é a cana-de-açúcar e a Randon vê esse segmento com grandes perspectivas, seja voltado à produção açúcar ou energia, produzida de forma limpa, renovável, sem agressão ao meio ambiente, como etanol, além da energia gerada através do bagaço da cana”, aponta o diretor da Randon. 

Implementos agrícolas: fundada em 1974, a Agrimec iniciou suas atividades produzindo a capinadeira de lâminas helicoidais para a capina mecânica das lavouras de soja, época em que a cultura só era produzida no Estado. No entanto, com o advento dois herbicidas, o uso do equipamento se tornou obsoleto, então a empresa passou a se especializar em implementos agrícolas voltados ao cultivo de arroz irrigado, prática expressiva na época da metade sul do Estado, o que a torna hoje, a maior fabricante da América Latina de implementos desde segmento. “O reconhecimento da tecnologia empregada em sua linha de produtos permitiu ampliar a atuação para segmentos como a cana-de-açúcar e outras culturas de terras altas”, revela Odílio Pedro Marion, diretor-presidente do Grupo Agrimec.

Segundo Marion, o desenvolvimento da indústria gaúcha tem origem na sua localização (especialmente européia), no espírito empreendedor e no know-how de sua mão de obra, além da incorporação de novas tecnologias, métodos de trabalho e gestão. “O espírito empreendedor que começou nas pequenas propriedades no passado, com uma indústria quase artesanal, emprega e gera, hoje, milhares de empregos e milhões em divisas. Isto é fruto também do próprio gaúcho, desbravador que expandiu as fronteiras agrícolas brasileiras e se tornou um forte consumidor dos produtos manufaturados destas indústrias, tradicionalmente reconhecidas pela qualidade e diversificação”, explica Marion. 

A expansão da fronteira agrícola levou a Agrimec a buscar novos nichos de mercados, como o cultivo da cana-de-açúcar em outras regiões do País. Assim, a empresa lançou a plaina niveladora multilâminas, primeiro implemento voltado ao mercado canavieiro. “O uso da plaina garante uma colheita com corte mais baixo e sem terra para a indústria”, afirma Marion. 

Além da plaina, a Agrimec desenvolveu, especialmente para a lavoura canavieiras, o multicultivador e pulverizador canavieiro sob a palha, MP4-3000, que atende de forma inovadora e eficiente o preparo do solo no pós-colheita, executando quatro operações simultâneas: subsolagem, adubação, pulverização abaixo da camada de palha e o enleiramento da mesma. “Vale ressaltar que, ao realizar o trabalho abaixo da cobertura da palha – diretamente no solo -, o multicultivador aumenta o rendimento da produção e reduz os custos com máquinas e pessoal. Com a pulverização diretamente sobre o solo e posterior cobertura da palha, resultou na redução da necessidade de calda em 80%, fator que potencializa a economia de recursos para a lavoura”, aponta Marion.

Também para o setor canavieiro, a Agrimec lançou, recentemente o cultivador quebra-lombo rotativo com aplicador de herbicida e adubo, modelo QLR-2L, que realiza o nivelamento do solo após o plantio nas entrelinhas e no sulco da cana, pulverizando nas entrelinhas ao mesmo tempo em que prepara o solo, o que facilita a colheita. “O equipamento alia a qualidade de proteger a planta das pragas ao aplicar herbicida à nivelação do terreno, característica ausente em cultivadores similares, sem causar danos à planta, o que confere melhor rendimento na fase de colheita”, observa Marion, comentando que, hoje, as vendas ao setor canavieiro respondem por 15% do faturamento da empresa, sendo a plaina, a líder de vendas. 

Atraindo os franceses: “A tradição gaúcha na fabricação de implementos foi um ponto crucial para a localização da fábrica, agregando ao Grupo Kuhn, o conhecimento das técnicas de fabricação especificas para as condições do Brasil, o que possibilitou a ampliação dos conhecimentos em plantio direto e a fabricação de máquinas que até então não eram comercializadas pela Kuhn”, revela Filipe Freitas de Carvalho, gerente de marketing da Kuhn do Brasil, explicando que a escolha para a instalação de uma unidade da multinacional francesa no País levou em conta, entre outros fatores, a localização estratégica em relação à América Latina, tornando o Estado gaúcho um ponto otimizado para a logística da empresa.

A semelhança entre a cultura gaúcha e a européia nos aspectos de um trabalho de talhado e o comprometimento com as tarefas, estão entre os fatores, que segundo a Kuhn do Brasil, justificam a presença da tantas indústrias em solo gaúcho. “Existem pólos que possuem tradição em alguns setores industriais, o que resultou na criação de escolas de formação e cursos especializados, gerando uma ampla mão de obra qualificada, que somados a veia inovadora existente nos gaúchos, trouxe muitas empresas para o Estado, que encontraram a maioria dos fatores necessários para um bom desempenho e sucesso”, aponta Carvalho. 

Embora não produza equipamentos específicos ao cultivo da cana-de-açúcar, a Kuhn do Brasil, sempre em busca da inovação, apresenta ao mercado sucroenergetico a enfartadora para grandes fardos que possibilita o enfardamento da palha da cana-de-açúcar, destinando-a para a produção de Bioenergia. “Além de gerar menos risco ambiental pela diminuição das queimadas a agregar valor econômico à palha, a enfartadora Kuhn proporciona uma ótima concentração do material, o que auxilia no transporte e na estocagem”, explica Carvalho.

Segundo estimativas do gerente de marketing da Kuhn, a utilização da palha da cana produzida no Brasil poderia gerar energia equivalente a 60% da produção da Usina de Itaipu, de maneira verde e com mais ganhos econômicos. “A linha de enfartadoras ainda está sendo introduzida no mercado, mas, já alcança destaque no faturamento da empresa, com a tendência de expansão para os próximos anos”, afirma Carvalho.

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