Segurança e Saúde dos Trabalhadores Rurais

Você sabia que a atividade agrícola está entre as três atividades mais perigosas para os trabalhadores, segundo pesquisas recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT)?

E que a cada três acidentes no meio rural, um ocasionou a incapacidade permanente dos trabalhadores?

A agricultura, que já recebe o título de atividade mais propensa a riscos, também é responsável pelas maiores causas de acidentes com trabalhadores.

O mais preocupante é que esses números são baseados apenas em casos comunicados. O quão maior seriam se todos os acidentes que acontecem em propriedades agrícolas fossem informados?

Algumas particularidades da profissão estimulam a soma negativa em relação a segurança no trabalho, como:

📌 Ausência de uniformidade do local e das atividades desenvolvidas;

📌 Junção entre ambiente de trabalho e moradia;

📌 Inexistência de uma avaliação de riscos e

📌 Falta de capacitação para operar máquinas agrícolas.

Este último ainda mais grave, porque mais de 60% das mortes ocorridas em acidentes com trabalhadores rurais são decorrentes da mecanização agrícola.

Se antes os acidentes no meio rural restringiam-se apenas a quedas, lesões com ferramentas e manejo incorreto de agrotóxicos, agora os riscos multiplicam-se devido a mecanização, que trouxe a ascensão do sistema homem-máquina.

Mais uma vez, fica evidente a necessidade de capacitar o trabalhador para operar máquinas e equipamentos de última geração, como forma de garantir sua saúde e preservar sua vida.

A segurança e a saúde do trabalhador rural são garantidas por lei.

A Norma Regulatória de n° 31 traz responsabilidades ao empregador e ao empregado, além de assegurar condições favoráveis de trabalho e medidas para controle de riscos.

Estas normas, por vezes, impõem responsabilidades difíceis de serem cumpridas, principalmente em pequenas propriedades, ainda rudimentares e distantes dos grandes centros.

Os equipamentos exigidos, tanto de uso pessoal como para o ambiente, custam caro, o que leva o produtor rural a ver os gastos com segurança e saúde mais como um desperdício e não como um investimento.

Os acidentes com transportes, como atropelamentos ou capotagens, também fazem parte da lista das maiores causas de acidentes agrícolas.

Em todo o mundo, acidentes com máquinas de roda causam até 50% das mortes fatais na agricultura.

Desprovidos de proteção lateral e muitas vezes transportando mais pessoas que o permitido, os tratores são um grande risco à vida, se operados de forma errada.

Com a atividade dependendo da disponibilidade de água, as propriedades costumam ter seus próprios reservatórios, açudes ou barragens, sem vedações ou de fácil acesso, facilitando a ocorrência dos afogamentos.

Os silos, grandes tanques de armazenagem de grãos, agrupam uma série de riscos que colocam em jogo a vida do trabalhador rural, começando por sua estrutura de confinamento, seu elevado índice de explosões, sua altura e a ameaça de problemas respiratórios surgirem devido a inalação da poeira.

Com grande quantidade de aparelhos ligados a luz, a eletricidade do mesmo modo é capaz de tornar-se inimiga do produtor e ser o motivo para acidentes fatais.

Produtores adeptos à Integração Lavoura-Pecuária (ILP) devem preocupar-se ainda com os riscos vindos dos animais, como doenças transmissíveis ou ataques.

No campo da Segurança e Saúde dos Trabalhadores Rurais fala-se muito sobre análise e gerenciamento de riscos, que nada mais é do que formas de prevenir estes e outros acidentes.

Quando o assunto é agrotóxicos a polêmica não está apenas no seu uso, mas também nos sérios danos que podem causar ao ser humano por se tratarem de compostos químicos complexos.

A variedade de sintomas que a exposição aos agrotóxicos causa faz com que a intoxicação seja facilmente confundida com um simples resfriado, por exemplo. Isto exige ainda mais atenção de quem os manuseia.

Ao manipular, fazer a limpeza de pulverizadores ou descartar embalagens vazias, os trabalhadores rurais estão expostos a contaminação de 4 formas:

📌 Exposição oral: quando ocorre a ingestão do produto. Na maioria das vezes a ingestão não corre diretamente, havendo primeiro a contaminação das mãos. Fumantes são ainda mais propensos a ingerir oralmente o veneno, devido ao cigarro ser pego com as mãos ou luvas contaminadas.

📌 Exposição dérmica: o veneno entra no corpo através da pele. É através de atos banais, como secar o suor da testa com a luva contaminada, que a contaminação pode ocorrer.

📌 Exposição respiratória: os pulmões passam a estar contaminados pela inalação do veneno. É a forma de contaminação mais rápida para que o produto chegue na corrente sanguínea.

📌 Exposição ocular: a contaminação é através dos olhos, com respingos dos agrotóxicos líquidos ou pó dos produtos sólidos.

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são de uso obrigatório tanto no trabalho com máquinas e equipamentos agrícolas quanto para o uso de agrotóxicos.

Os EPIS mostrados abaixo são os mais adequados para a proteção do produtor rural:

📌 Touca árabe: protege pescoço e ombros do calor e de possíveis contaminações dérmicas, por exemplo.

📌 Viseira facial: protege face e olhos de poeiras, respingos químicos e radiações solar.

📌 Jaleco: protege tronco e braços e deve ser feito com tecido permeável.

📌 Respiradores ou máscaras: para que a inalação seja evitada.

📌 Luva: é o mais importante dos equipamentos, pois protege a parte do corpo mais exposta as contaminações, as mãos.

📌 Avental: para proteção da parte da frente do corpo contra respingos, agentes cortantes ou solda, por exemplo.

📌 Calça: para proteção das pernas do trabalhador.

📌 Bota: protege os pés contra objetos cortantes, contaminações dérmicas ou de superfícies inapropriadas para caminhadas descalços.

A parte mais sensível de qualquer cultura é a aplicação dos agrotóxicos. O processo sempre deve ser orientado por profissionais capacitados, pois muitos requisitos e cuidados precisam ser levados em conta.

A atenção deve ser redobrada já na hora da compra, pois cada produto irá agir de uma forma na lavoura, dependendo do tipo de praga e do momento da produção.

O preço não deve ser o único fator a ser levado em conta. Se o produto for barato, mas não atender ao propósito desejado, ele acabará saindo mais caro posteriormente.

Abra o olho com agrotóxicos contrabandeados ou falsificados. O teor químico destes produtos costuma ser acima do recomendado, pondo em risco a saúde da planta.

Todos os agrotóxicos possuem uma escala de toxicidade e ela diz respeito ao perigo que o produto representa para o homem e não o seu grau de eficiência na plantação. A recomendação é sempre que possível optar pelos menos tóxicos possíveis.

O sucesso no controle de pragas e plantas daninhas irá depender da qualidade da aplicação. Manter os equipamentos aplicadores sempre bem regulados, limpos e revisados regularmente evita desperdícios.

Os manuais de instruções para uso de produtos químicos e pulverizadores devem ser livros de bolso do produtor rural.

Ao final do uso do produto, todas as embalagens vazias de agrotóxicos devem ser limpas e entregues em unidades de recebimentos autorizadas. O prazo máximo para que o agricultor faça isso é de 1 ano após a compra, podendo ser multado por prática de Crime Ambiental.

Para que a segurança e a saúde do produtor rural estejam garantidas se faz necessária a identificação de todos os riscos que a propriedade apresenta, a fim de que se possa lidar com as causas.

Para isso, podemos nos perguntar:

📌 O que pode causar lesões ou danos?

📌 Os perigos podem ser diminuídos ou substituídos?

📌 Que medidas de prevenção ou de proteção existem ou devem ser adotadas para controlar os riscos?

Vale levar em conta também:

📌 As condições de saúde, físicas e comportamentais das pessoas;

📌 As condições com que máquinas e equipamentos estão para o uso,

📌 As condições do ambiente de trabalho e das instalações;

📌 A presença de produtos químicos ou inflamáveis por perto.

Depois de identificados, os riscos devem ser prevenidos através de medidas de prevenção de riscos.

As medidas de prevenção reduzem ou substituem os riscos. Deve-se levar em conta a probabilidade de ocorrência dos incidentes e a gravidade dos resultados.

As medidas serão específicas para cada caso e podem ser a suspensão permanente da atividade ou a sua modificação em um determinado espaço de tempo.

Os riscos nunca poderão ser eliminados por completos, mas é possível que sejam controlados e reavaliados.

 

Fontes:

Acidentes com máquinas agrícolas: texto de referência para técnicos e extensionistas

Acidentes com tratores agrícolas- Grupo Cultivar

Agrownegocios (agrownegocios.com.br)

Proteção da Segurança e da Saúde dos Trabalhadores da Agricultura, Pecuária, Horticultura e Silvicultura- Comissão Europeia

Segurança Agrícola Rural- Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná

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