Dívidas agrícolas: os principais motivos que endividam produtores rurais.

Hoje abordaremos um tema que, infelizmente, é comum em todas as áreas comerciais e que chateia pequenos, médios e até mesmo grandes empresários, em especial os produtores rurais: as dívidas.

Ao final da leitura você terá entendido:

✔️ A relação entre a agricultura e as dívidas;

✔️ E os principais motivos que levam produtores rurais a não conseguirem quitar seus investimentos.

Vamos a eles!

Qualquer atividade ou acontecimento que se repete sempre em uma mesma época do ano, respeitando condições e intervalos de tempos específicos, são entendidos como eventos sazonais.

A sazonalidade é caracterizada por comportamentos padrões que se repetem de tempos em tempos.

De tempos em tempos as vendas de sorvetes aumentam com a chegada do verão. De tempos em tempos chocolates viram mais atrativos por causa da Páscoa.

E de tempos em tempos, as terras são preparadas para receber uma nova safra.

Logo, a agricultura é tratada como uma atividade sazonal. O agricultor, em cada época do ano, de acordo com o planejamento do seu Calendário Agrícola e com as premissas do Zoneamento Agrícola da sua região, adota um certo padrão de comportamento.

Os comportamentos adotados objetivam apenas uma coisa: obter uma safra perfeita.

Além dos comportamentos de praxe como revisar as máquinas, comprar insumos e realizar um manejo correto para alcançar maiores índices de produtividade, existem muitas dúvidas rotineiras que assombram os produtores rurais a cada novo ciclo agrícola:

✔️ ‘‘Quanto vou precisar desembolsar para produzir uma boa safra em condições normais?’’

✔️  ‘‘Por quanto vou precisar vender minha produção para ter uma boa margem de lucro?’’

✔️ ‘‘Existe a possibilidade de eu ficar em débito com alguma Instituição devido a empréstimos ou financiamentos que precisei fazer?’’

As dívidas agrícolas já estão sendo vistas como essência na profissão. É como se fosse impossível produzir sem ficar endividado.

No primeiro trimestre de 2018, as dívidas de produtores rurais brasileiros com instituições de crédito, como os Bancos, chegaram a 280 bilhões de reais.

Os elevados custos anuais com investimentos então fazendo do agronegócio o setor que mais necessita de financiamentos.

Pessoas endividadas perdem credibilidade na praça. Sem credibilidade é impossível captar recursos e sem recursos não existe produção.

Por vezes, o produtor rural não tem de onde tirar para dar o ponta pé inicial e se vê obrigado a utilizar créditos de terceiros como sendo a única saída para custear sua produção e adquirir propriedades, máquinas e matéria-prima para plantar.

A partir disso, o que presenciamos é um ‘‘festival’’ de financiamentos sendo disparado para um setor com sede de crédito, com sede de desenvolvimento.

A questão é que a promessa de crédito facilitado em seguida se torna um pesadelo e as altas taxas de juros e as diferenças de preços do momento da negociação até o momento da venda são os primeiros passos até o fundo do poço.

A falta de informação e de prestação de assistência técnica, tecnológica e gerencial também fomenta o início de uma crise no setor.

Surge então toda uma parcela de trabalhadores carentes de soluções mais eficazes para um problema que já tornou-se habitual ou, melhor dizendo, sazonal, como explicado no início do texto.

Mas o que leva produtores rurais a se endividarem tanto?

Apontaremos os principais motivos das dívidas agrícolas existirem a partir de agora. Acompanhe!

Não existe quem não tenha ou já não teve dívidas em algum momento da vida.

As dívidas, algumas maiores que as outras, fazem parte da vida financeira de qualquer pessoa que realize compras e, quando não são bem administradas, passam a fazer parte também da vida pessoal, podendo afetar o emocional de quem as possui.

Os casos de produtores e produtoras que já tiveram outras esferas da vida afetadas por causa do acúmulo de dívidas são maiores do que possamos imaginar.

As dívidas agrícolas começam com empréstimos que são feitos em um determinado momento que antecede o plantio e termina quando uma série de acontecimentos não sai como planejado, entre este período e o final da safra.

O principal motivo de agricultores ficarem em débito com outros agricultores ou com associações de crédito é a imprevisibilidade que assombra as suas atividades.

O mercado de preços é imprevisível, o clima é imprevisível, a comercialização também é.

Diante de tantas incertezas, a possibilidade de falhas ocorrerem crescem na mesma proporção que o nível de inadimplência dos produtores.

O alimento final, que tanto precisa ser acessível ao povo, acaba não contando com mecanismos que o faça ser produzido de maneira mais segura, livre de riscos.

E por falar em riscos, a falta de proteção nas lavouras e, consequentemente, a quebra das safras, gera um número maior ainda de produtores devedores, já que menos de 30% dos produtores rurais brasileiros possuem instrumentos de Gestão de Riscos nas suas propriedades.

Por outro lado, assistimos a um sistema de educação rural falho que não cumpre com a sua função de levar até os produtores conhecimentos adicionais que eles necessitam, como os relacionados a administração rural e tecnológica.

Sem conhecimento não tem como, por exemplo, otimizar os recursos com o auxílio da tecnologia, nem conhecer o valor do dinheiro e nem formas saudáveis de gastá-lo sem gerar despesas indevidas.

O conhecimento serve como fator determinante para tornar os produtores rurais mais competitivos e informados na hora de realizar investimentos, adquirir insumos e comercializar a colheita, por isso sua importância.

A responsabilidade por boa parte da geração deste conflito recaí, igualmente, sobre as entidades públicas (Governos Municipais, Federais e Estaduais), no que diz respeito aos preços pagos pelos produtos.

O Rio Grande do Sul, por exemplo, dono de 70% de toda produção nacional de Arroz, até hoje luta por uma política pública que possa favorecer o preço de venda do cereal aqui dentro.

Concorremos, ainda, com os desleais valores praticados em países vizinhos dos mesmos produtos produzidos aqui.

Não é por nada que o arroz, juntamente com os suínos e as aves, está entre os segmentos mais afetados pela crise de renda agrícola.

Também não é por acaso que a Região Nordeste, a maior em número de estados, é uma das regiões que mais em modo de alerta se encontra quando falamos em quebra de safra.

Além de ser a maior do país em número de estados, segundos dados do IBGE, a região concentra o estado da Bahia, caracterizado por agregar o maior número de produtores do Brasil e ser o que mais sofre com longos períodos de estiagem.

Assim, podemos concluir que quando informação, tecnologia e Governos não são suficientes ou são ausentes no meio rural o fracasso econômico dos produtores rurais é a consequência.

O acúmulo de dívidas na agricultura está intimamente ligado com a ausência de formas que a tornem  uma atividade com igualdade entre gastos com produção e retornos comerciais.

 

Fontes: A Inadimplência dos Produtores Rurais Diante do Caos da Economia Brasileira (Valdir Edemar Fries); A inadimplência no Financiamento ao Agronegócio e Suas Consequências (Marcus Reis); Crédito Rural: O Que Seria Uma Grande Solução Transformou-se Numa Grande Decepção (Polan Lacki); Dívidas Rurais: Informação é Tudo (Lutero Pereira & Bornelli Advogados Associados); Marcelo Segredo- Assessoria Empresarial; Os 7 Principais Motivos da Inadimplência e Como Evitá-los (Zenvia); Sem Pagamamento, Sem Crédito (Dinheiro Rural); Site do Deputado Jeronimo Goergen.

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