Comercialização dos Produtos Agrícolas

Negociar, vender e comprar são ações comerciais que fazem parte de qualquer atividade empresarial.

E o agronegócio é uma empresa e o agricultor é um empreendedor. Portanto nessa classe tão conhecida por movimentar grandes operações e volumes financeiros isso não é diferente.

O produtor rural depende da comercialização da sua safra para receber de volta todos os investimentos que fez.

E eles são muitos. Do preparo da terra, da disponibilidade de mão de obra até a busca por infraestrutura e logística adequadas, o produtor rural investe tempo e muito dinheiro.

Decidir a melhor e mais rentável forma de comercializar seus produtos é o que vai garantir o retorno que tanto espera, e as melhores decisões só podem ser tomadas depois de muita pesquisa e estudo.

Ter acesso a informações primordiais sobre o mercado (como a maneira com que os preços se estruturam) e a diferentes opções de comercialização, bem como saber antecipar futuros cenários para a venda do produto, faz toda a diferença em momentos de negociações.

O importante é ter clareza sobre as inúmeras possibilidades de venda que existem e entender os riscos que as envolvem. O auxilio de profissionais mais capacitados nessas áreas nunca deve ser dispensado.

A comercialização agrícola sempre vai tecer um elo entre quem vende e quem compra até chegar ao consumidor final.

O comprador vai exigir que o produto atenda às necessidades do mercado e que venha com as características esperadas. É dever de quem vende acatar essas exigências.

Conhecer bem o artefato que se produz, a sua demanda e entregá-lo com qualidade farão com que uma das principais atividades econômicas do Brasil, a Comercialização Agrícola, retorne de maneira satisfatória ao produtor.

Pra isso, produtores, cerealistas ou indústrias podem ampliar sua opções de venda com apoio da tecnologia, por exemplo.

Os benefícios da tecnologia e das demais formas de comercializar os produtos agrícolas irão compor o decorrer do nosso texto. Acompanhe!

As diferentes possibilidades de vendas de um mesmo produto precisam sempre ser muito bem analisadas, pois o mercado agrícola lida ainda com um grande problema: a volatilidade dos preços.

De uma semana para outra, as mercadorias agrícolas podem sofrer grandes variações de valores que, se não forem aproveitadas, podem impactar no bolso do produtor.

Nem sempre a mesma estratégia de venda de um produto será ideal para vender outro. Agricultores que incluem em suas lavouras sistemas integrados de produção como a Lavoura-Pecuária, por exemplo, precisam prestar atenção nesse tipo de restrição.

Uma das maneiras de a safra ser escoada da propriedade é por meio do Barter. O termo, em inglês, significa troca e é bem isso que acontece.

Nesse sistema, o produtor obtém todos os insumos e sementes que irá precisar para a fase de plantio e o pagamento é feito apenas após a colheita, em sacas, com a entrega do grão que produziu.

O número estimado de sacas a ser entregue é acordado antecipadamente, assim como os juros do empréstimo. Todos estes acordos são registrados em um contrato que recebe o nome de Cédula de Produtor Rural (CPR).

A maior vantagem desta operação é que o produtor rural fica livre da oscilação de preços do mercado, já que tudo é decidido antecipadamente.

Porém, no momento da negociação é exigido maior senso de antecipação das partes.

Outra opção viável é por meio das Cooperativas. Como o próprio nome indica, o objetivo da formação das Cooperativas é cooperar com pequenos e médios produtores.

As cooperativas nascem a partir da associação voluntária de produtores com os mesmos interesses econômicos, que reúnem seus esforços para vender e comprar insumos com preços atrativos.

A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) estima que cerca de 48% do Produto Interno Bruto brasileiro (PIB) venham das ações diretas das Cooperativas.

Elas são administradas de maneira conjunta e democrática e representa um importante instrumento para garantia da segurança alimentar e combate ao êxodo rural.

A maior vantagem das Cooperativas é a comercialização a preços mais justos, já que os pequenos e médios produtores vivem disputando com produtores maiores e preços extremamente competitivos.

Dessa forma, depois de recebida a produção ela é passada ao consumidor final com melhores preços.

Atuando ainda como intermediária nas negociações, temos as empresas Tradings.

Através delas o produtor negocia com empresas do exterior e ainda tem todo o processo de compra e venda facilitado.

O sistema de exportação ou de importação de produtos requer uma cautela maior, pois envolve legislações e burocracias de mais de um país.

As Tradings atuam para evitar que erros e operações mal feitas aconteçam e ainda prospectam fornecedores e inspecionam mercadorias. Análises de preços, fechamento de câmbio e contratação de fretes e seguros também ficam de responsabilidade destas empresas.

Uma desvantagem presente na contratação das Tradings é que o volume de produtos negociados geralmente precisa ser muito grande.

O aumento da presença da internet e das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no campo também já pode ser entendido como uma estratégia de venda de insumos e produtos agrícolas muito empregada.

As ferramentas digitais auxiliam produtores nas trocas comerciais por serem ágeis e possibilitarem que uma ampla rede de contatos se forme.

Além disso, pela internet não existe um volume mínimo a ser negociado e nenhum tipo de comissão é preciso ser paga.

Sites de classificados de produtos do agronegócio, aplicativos de vendas para dispositivos móveis, grupos no Whatsapp e no Facebook e até mesmo Softwares de vendas são alguns exemplos de como o advento da internet no meio rural passou a facilitador a vida do produtor.

A comercialização dos produtos agrícolas nem sempre é uma escolha fácil. O produtor precisa ter conhecimento de muitas questões e escolher a melhor com base na sua margem de lucro.

Se a venda ocorrer de forma antecipada, por meio dos contratos de produção, ou na época da colheita, uma coisa sempre será certa: as estratégias empregadas sempre deverão contribuir para a diminuição dos riscos que a plantação está sujeita a enfrentar.

A escolha da forma mais viável para a produção sair e os retornos financeiros começarem a se manifestar ao produtor não é a única tarefa difícil do processo.

Os problemas práticos enfrentados no dia-a-dia da lavoura e também os mais burocráticos podem atrapalhar a escoação de uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil, a agricultura.

As adversidades do tempo, bem como o ataque de pragas e doenças ou até mesmo a ausência de um correto manejo podem acarretar na quebra da safra.

Perder parte de uma safra significa prejuízos a toda uma cadeia comercial que se beneficiaria com os resultados, o chamado ‘‘efeito dominó’’.

Além disso, cerca de 61% do transporte de grãos do nossos país é realizado por via terrestre. Isso significa que mais da metade de tudo que produzimos circula pelas estradas estaduais e federais do Brasil.

As maiores dificuldades desta modalidade de transporte estão nas perdas de grãos durante os trajetos realizados. A safra de soja, por exemplo, perde em torno de 6,6 bilhões de reais todos os anos devido ao transporte precário ou inadequado dos grãos.

As condições com que nossas estradas se encontram e os custos com manutenção dos caminhões, que nem sempre são compatíveis com os valores pagos pelos fretes e nem com o que é cobrado pelos combustíveis, também são fatores que agravam a conjuntura.

Por fim, a instabilidade do mercado agrícola, que faz preços variarem frequentemente em função da oferta e da procura, obriga muitos produtores a estocarem sua safra a espera de melhores condições de venda.

Produtos estocados requerem mais cuidados e exigem investimentos em armazéns próprios para isso, para garantir que a produção conserve suas características até que um melhor preço seja obtido.

A agricultura nunca foi uma missão fácil. A sua importância econômica e social exige muitas adaptações por parte dos produtores rurais em busca de alternativas para que os produtos sejam vendidos, valorizados e as despesas com produção e colheita ressarcidas.

 

Fontes: CBC Agronegócios, Agronegócio Interior, Blog Agropro, Royal Máquinas, You Trading, Alternativa ou Estratégias de Comercialização Agrícola (Érica Romero)

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