Diversos motivos ocasionaram endividamentos dos produtores, desde a carga tributária até a perda do grão por problemas climáticos

Segundo o presidente da Associação dos Arrozeiros de Alegrete (RS), Henrique Dornelles, a aprovação do pacote de medidas para amenizar o endividamento dos produtores de arroz é aguardada com cautela pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ele explica que na região são diversos os motivos de endividamento dos produtores, desde a carga tributária até a perda por problemas climáticos. Ele salienta também a perda de competitividade por causa da distância dos pontos de escoamento do grão.  

– Nós temos os custos mais elevados e uma competitividade pior, pois estamos distante dos pontos de escoamento, o que deprecia mais os preços em relação às demais regiões – lamenta.

Entre as medidas está a prorrogação, para o final do contrato, dos empréstimos de investimento contraídos junto a rede bancária, constituídos a partir dos fundos obrigatórios. Outra medida propõe o pagamento em cinco parcelas anuais, com o primeiro vencimento neste ano, dos empréstimos contraídos para custeio e que deveriam ser quitados agora em 2011.

O CMN também vai apreciar a proposta que possibilita a prorrogação, para o final do contrato, da parcela de empréstimo de custeio de outras safras que venceria neste ano. A quarta proposta estabelece a possibilidade de reparcelamento dos Empréstimos do Governo Federal (EGFs) que deveriam ser pagos neste ano e que já foram parcelados no primeiro semestre.

O produtor de Alegrete, Caio Neme, plantou 1,8 mil hectares na safra passada, com produtividade de 8 mil quilos por hectare. Se a produção foi boa, os preços não ajudaram. O produtor afirma que a crise do setor é estrutural e que os custos de produção prejudicam a atividade.

– Dentro da porteira, o produtor está muito competente. A produtividade é muito boa, é das mais altas do mundo. Mas o custo de produção está muito alto. Aí que temos que começar a trabalhar e mexer nisso – acredita. 

Fonte: Canal Rural

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