A crise da cadeia produtiva do arroz está, mais do que nunca, em pauta no Governo Federal, especialmente na agenda da ministra do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina.

Em um áudio enviado a um produtor de arroz do Rio Grande do Sul, Tereza Cristina diz conhecer a gravidade da situação e indica que a única solução para o setor arrozeiro é uma espécie de securitização das dívidas.

Nesse mesmo áudio, Tereza Cristina ressalta a conquista da abertura das exportações ao México, fato que fez com o que preço do cereal saísse de 36 para 42 reais a saca.

Para a ministra, existe uma urgência na aprovação da Reforma da Previdência para que o Brasil entre em um equilíbrio fiscal e para que assim possam ser tentadas novas alternativas.

‘‘Eu sei o desespero de vocês, compreendo e nós estamos buscando uma medida (…) E também tem que resolver o problema do custo do arroz, porque se não nós arrumamos uma solução que logo, logo vai estar inviabilizada também. Temos que retomar medidas para que esse mercado reaja.”, concluiu Tereza, com a promessa de uma reunião com o ministro da economia, Paulo Guedes, na próxima sexta-feira.

Mesmo com a retomada dos preços, os produtores estão considerando essa reação insuficiente.

Para o presidente da Câmara Nacional da Cadeia Produtiva do Arroz no MAPA, Daire Coutinho, a entrada no Brasil do arroz vindo do Paraguai e o fato da maior parte do cultivo do grão ter sido feita sem financiamento público são os motivos para os preços pagos não terem alcançado o patamar esperado, após quebra da safra e redução da oferta.

De acordo com o jornal Correio do Povo, na última sexta-feira, o indicador do arroz em casca elaborado pelo Cepea/Esalq/Senar-RS indicava que a saca de 50kg estava sendo comercializada ao preço médio de R$43,63, no Rio Grande do Sul.

Esse valor é R$0,50 menor que há um mês, mas R$4,15 acima do preço praticado na mesma data, no ano passado.

‘‘Com a redução de 1 milhão de toneladas na colheita da safra 2018/2019 no Rio Grande do Sul, que ficou em 7,4 milhões, o orizicultor esperava entre R$50 e R$52 a saca nesse momento’’, relatou Coutinhho.

O presidente falou também sobre a entrada do arroz paraguaio a um preço mais competitivo que o nosso: enquanto que o deles vale cerca de 10 dólares a saca, o nacional está ultrapassando os 11 dólares.

Entidades do setor, como a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), alertaram para uma nova alta nos custos de produção já para a safra 2019/2020.

Em nota, a Federarroz lembrou que ‘‘o produtor não tem auferido lucro’’, afirmando que o resultado da safra fica para os sistemas financeiros, loja, fornecedores, indústria e varejo.