Na última sexta-feira, 28, os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) e a União Europeia fecharam um acordo comercial que vinha sendo negociado a mais de 20 anos.

A importância econômica de tal decisão e o número de questões que o envolve fazem este acordo ser o maior e mais complexo entre blocos do mundo.

Além disso, os dois blocos representam juntos cerca de 25% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e um mercado formado por 780 milhões de pessoas.

A partir dessa decisão, são acertadas tarifas e regulamentações com o objetivo de facilitar o livre comércio entre os dois conjuntos.

A partir de agora, mais de 90% dos produtos exportados pelo Mercosul terão as tarifas de importação zeradas pelos próximos 10 anos. Outros produtos contarão com cotas preferenciais de importação e taxas reduzidas.

Antes do acordo, somente 24% das exportações brasileiras entravam livres no bloco.

‘‘Para alcançar o compromisso, o Mercosul teve que abrir as portas à indústria europeia, particularmente no setor automotivo, mas também aos setores químico e farmacêutico, assim como seus mercados públicos. Em troca, a UE facilitará o acesso a seu mercado aos quatro países sul-americanos, ávidos por vender açúcar, etanol e carne’’. (Fonte: G1).

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que dos 1.101 produtos que o Brasil tem condições de exportar para a União Europeia, 68% enfrentam tarifas de importação.

Com o acordo e a consequente abertura do mercado europeu para produtos agropecuários, por exemplo, que são altamente competitivos, mais investimentos deverão ser aplicados na indústria nacional.

Segundo as estimativas feitas pelo Ministério da Economia, a decisão resultará em um incremento de 87,5 bilhões de dólares no PIB brasileiro, em 15 anos, podendo chegar a 125 bilhões de dólares.

O aumento dos investimentos previstos para o Brasil no mesmo período é de 113 bilhões de dólares. Já as exportações para a UE podem crescer quase 100 bilhões de dólares, até 2035.

Na visão de Danielle Sandi, professora do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB), ampliar pautas de comercialização é fundamental para criar comércio com umas partes e desviar de outras.

‘‘Vejo como uma estratégia de geopolítica importante, ficamos menos dependentes, por exemplo, da exportação de commodities para países como a China. Se a China trava o mercado, você não tem para quem exportar. Agora, esse cenário fica mais favorável’’, afirmou ela.

Dos produtos brasileiros que terão suas tarifas eliminadas e que deverão se beneficiar com o acordo estão: suco de laranja, frutas (melão, melancia, laranja, limão, entre outras), café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais, açúcar, etanol, arroz, ovos, mel e carnes (bovina, suína e de aves).

Além desses, cachaças, queijos, vinhos e cafés serão reconhecidos como distintivos do Brasil.

Teremos ainda acesso efetivo em diversos segmentos de serviços, como comunicação, construção, distribuição, turismo, transportes e serviços profissionais e financeiros.

Em nota, o Governo informou que diversas empresas brasileiras também se beneficiam com a eliminação de 100% das tarifas na exportação de produtos industriais.

‘‘Serão, desta forma, equalizadas as condições de concorrência com outros parceiros que já possuem acordos de livre comércio com a UE”, informou.

Mesmo que esse importante passo tenha sido dado após 20 anos, ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Isso porque o tratado precisa ser ratificado e internalizado por cada um dos Estados integrantes de ambos os blocos econômicos.

Na prática, significa que o acordo terá que ser aprovado pelos parlamentos e governos nacionais dos 31 países envolvidos, uma tramitação que levará anos e poderá enfrentar resistências.

Danielle pondera ainda que é apenas no médio prazo que os efeitos mais concretos do acordo de livre comércio poderão ser sentidos pela população em geral, como eventuais queda no preço de produtos importados e, principalmente, aumento de investimentos e crescimento da economia.

Fonte: El País

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