A cana-de-açúcar é uma cultura duplamente importante para o país.

É a partir dela que são feitos dois produtos essenciais para a economia: o açúcar e o álcool, o último utilizado tanto na fabricação de bebidas alcoólicas como em forma de combustível para os carros.

Hoje, o Brasil é o maior produtor mundial de cana, o primeiro também na produção e na exportação de açúcar e o segundo maior produtor e exportador de etanol.

A chegada dos carros de combustível flex ao Brasil e o subsequente salto na demanda por etanol, fizeram com que a indústria de cana-de-açúcar disparasse na última década.

Em Mato Grosso do Sul a área cultivada aumentou em 70%, de 2005 a 2012. O estado é uma importante fronteira agrícola para o escoamento da cultura.

Embora o setor tenha passado por períodos de poucos investimentos que corroeram a produtividade dos canaviais, o mês de agosto terminou com 391,8 milhões de toneladas de cana moídas.

Essa safra, que já é 2,3% maior que a anterior, demonstra a capacidade de expansão que a cultura teve nos últimos anos.

Com a chegada das usinas, o PIB de alguns municípios brasileiros teve um aumento médio de 30% em três anos e setores como a agricultura, a indústria e os serviços também foram impulsionados ao crescimento.

As usinas reestruturaram os municípios onde estão localizadas e estimularam a produção de outras culturas, a redução do desmatamento e mais.

A afirmação faz parte do estudo realizado pelo Núcleo de Avaliação de Politicas Climáticas da PUC do Rio de Janeiro (Climate Policy Initiative), no âmbito do projeto INPUT.

O desdobramento da expansão das usinas e a contribuição da cana-de-açúcar para o ambiente e para o desenvolvimento econômico serão os próximos tópicos abordados.

Esta já é a segunda safra em que o etanol está sendo priorizado. Os números são da Única, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar.

Até o final de agosto, foram processadas 391,8 milhões de toneladas de cana, com 18,84 milhões sendo de açúcar e 20,5 bilhões de litros de etanol.

Esses números são 19,3% menor para o açúcar e 33,5% maior para o etanol, quando comparados com a safra anterior.

Ganha destaque aqui o etanol hidratado, aquele comum vendido nos postos, onde foram produzidos 14,15 bilhões de litros, 62,1% a mais que no ano passado.

Em julho, o total de hidratado vendido aos postos foi de 1,553 bilhões de litros, impressionantes 47% a mais que em julho de 2017 e 4% a mais que junho deste ano.

Ao todo, 12,19 bilhões de litros de etanol já foram vendidos nesta safra. Os preços subiram cerca de 10% para hidratado e anido.

Na última quinzena de agosto, a moagem foi 11% maior que na mesma quinzena da safra anterior.

Analistas de mercado, porém, alertam que essa velocidade deve ser reduzida devido às chuvas previstas para outubro nos canaviais.

O ATR (Açúcar Total Recuperado) – índice que mede a qualidade da cana -, por tonelada, está 4,77% maior.

O rendimento no mês de agosto foi de 70 toneladas por hectare, quase 10% abaixo de agosto de 2017.

A média da safra está sendo de 78,44 t/ha contra os 81,20 do ciclo anterior.

Analistas informam que essa quebra deve ainda se intensificar com a safra deste ano sendo encerrada antes.

Ainda para esta safra, a OIA (Organização Internacional do Açúcar) projeta uma produção de 184,170 milhões de toneladas de açúcar e 185,215 milhões para 2018/2019.

O consumo passará de 175,573 milhões de toneladas para 178,468 no ano que vem.

Serão 2,9 milhões de toneladas a mais estimuladas por menores preços.

Um alerta para a nossa posição. Depois de muito tempo, o Brasil poderá perder a liderança na produção do açúcar para a Índia.

Por lá, devem ser produzidas 35 milhões de toneladas enquanto que aqui serão cerca de 30 milhões. O país tem um consumo de mais de 25 milhões de toneladas, ao ano.

A crescente demanda por alimentos e a oportunidade de uso de combustíveis alternativos fez com que economias locais, como a do estado do Mato Grosso do Sul, prosperassem e passassem a usar a terra de forma mais sustentável.

As usinas estão exercendo a capacidade que o Brasil tem de se sobressair diante dos desafios globais, ao atuarem na redução da emissão de gases poluentes e impactarem no crescimento de outros setores.

Os desdobramentos da expansão econômica das usinas de cana-de-açúcar estão gerando impactos positivos também em áreas que não estão ligadas à produção de cana em si, como veremos a seguir.

1- Incentivo à produção de outras culturas

A primeira grande mudança no uso da terra induzida com a chegada das usinas no estado foi a substituição de áreas de pastagens pelo cultivo de cana.

No Brasil, há anos as terras vem sendo usadas de forma bastante ineficiente.

É por isso que um quarto das terras do país são cobertas por pastagens que contém, em média, apenas uma cabeça de gado por hectare.

Em especial no estado do Mato Grosso do Sul, o crescimento da produção de etanol fez com que o cultivo de cana crescesse na mesma proporção, dando um novo emprego às terras voltadas para pastagem.

O estudo também apontou ganhos de produtividade da soja e do milho com a chegada das novas usinas de cana.

Boa parte dessa contribuição está na melhoria da oferta de insumos e serviços agrícolas, entre eles o transporte e o armazenamento.

O aumento da produtividade foi incentivado ainda, segundo os resultados do estudo, pelo crescimento dos investimentos agrícolas, decorrentes do aumento da renda dos produtores, com o arrendamento de terras, com a venda da cana e com o acesso ao crédito facilitado.

2- Redução do desmatamento

Em três anos, a instalação das usinas reduziu o desmatamento em 6,3 mil hectares.

Dos fatores que explicam tal acontecimento estão os ganhos em produtividade que reduziram a demanda por novas áreas para a agropecuária e o aumento na fiscalização e cumprimento das leis ambientais.

Esse segundo motivado pelo fato das usinas pertencerem a grandes empresas, cujos impactos ambientais estão mais expostos aos enfoques dos veículos de comunicação.

A visibilidade econômica das cidades que sediam as usinas também contribui para uma atenção maior neste quesito.

3- Crescimento das oportunidades de trabalho

O estudo demonstrou que, após a chegada das usinas, o número de empregos de um salto em 40% e que os salários agregados cresceram em 49%.

As usinas trouxeram também mais 186 novas empresas, uma expansão equivalente a 82%.

Essas novas oportunidades forçaram trabalhadores e interessados a aumentar seus níveis de escolaridade.

4- Melhora dos fluxos financeiros

Dentre os serviços financeiros que se expandiram com a chegada das usinas no estado do MS, estão os depósitos privados que aumentaram em 4,8 milhões de reais e o crédito rural que teve um aumento de 77% ou 18,5 milhões de reais.

 

Com texto acima mostramos com é possível que economias nacionais e regionais se beneficiem com a crescente demanda por produtos que tenham a cana-de-açúcar como base.

Os ganhos econômicos trazidos por essa cultura são transformadores para as localidades onde está inserida e também para reposicionar o país diante de outros mercados.

Além disso, a cana-de-açúcar tem uma grande contribuição na inserção no Brasil em uma rota agrícola cada vez mais sustentável, com a terra sendo usada de forma eficiente e com benefícios para múltiplas culturas.

 

Fontes: INPUT (O papel da cana-de-açúcar no desenvolvimento econômico) e Revista Canavieiros (A Índia destrói o mercado mundial de açúcar).