Segunda semana do ano e a ausência de chuvas já está ascendendo sinais de alerta nas principais regiões produtoras de soja do país.

O oeste e o sul do Paraná, até o momento, são as localidades mais prejudicadas, seguidas do estado do Mato Grosso do Sul e regiões Centro-Oeste e Matopiba.

Marcelo Garrido, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, afirma que já não é mais tempo de termos uma safra perfeita, nem recorde.

A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) falou ainda que a produção não passará das 15 milhões de toneladas, quase 5 milhões a menos do que ainda era previsto em dezembro por outras entidades.

Não sendo possível, portanto, ultrapassar o recorde obtido na safra 2017/2018.

Mais importante do que as perdas em números é lembrarmos da seguinte afirmação feita por Antônio Galvan, presidente da Aprosoja, em Mato Grosso:

‘‘O clima é sempre o que manda… É só dele que vai depender se a safra vai ser grande, pequena ou mais ou menos… A seca é complicada….’’

E já que diante do clima nada podemos fazer, o que apresentaremos a seguir é um compilado de alternativas para você e sua lavoura sobreviverem aos períodos de seca.

A combinação prejudicial entre a falta ou má distribuição das chuvas e as altas temperaturas fez com que novas tecnologias surgissem, a fim de minimizar o efeito negativo desta junção.

E essas tecnologias já estão a disposição do produtor rural, como veremos a seguir.

As consequências da estiagem nas lavouras

Sem água pouco ou nada é produzido.

Somado a todos os desafios da atividade mais propensa a riscos, os produtores rurais enfrentam ainda dificuldades relacionadas as causas naturais.

Os períodos de seca são um exemplo.

A falta ou má distribuição das chuvas nas lavouras ocasiona uma operação inversamente proporcional que desagrada a todos.

Enquanto que o rendimento dos grãos despenca ao ponto de atingirmos perdas irreversíveis, os preços dos alimentos aumentam, devido a demanda que nunca cessa e a menor disponibilidade, tornando-os, muitas vezes, inacessíveis.

As consequências seguintes são a queda na produtividade e lavouras tendo que ser colhidas antes do prazo ideal, para que as perdas não sejam ainda maiores.

O cenário desesperador causado pela seca também afeta os compromissos que os produtores têm a cumprir, como pagamentos de empréstimos e entrega dos grãos.

Quando o clima não condiz com as expectativas do mercado, o produtor rural fica desmonetizado e impedido de expandir sua produção, seja com o plantio de mais hectares ou com a aquisição de novas máquinas agrícolas.

Os efeitos da estiagem são sentidos de diferentes formas em cada região do país.

Em tempos assim o que faz toda a diferença é a adoção de tecnologias eficazes que preparem o solo para este período ou que armazenem água de forma inteligente.

Veja agora quais são elas.

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As altas temperaturas e os períodos de estiagem estão cada vez mais frequentes em regiões como o Sul e o Sudeste do Brasil.

Por serem responsáveis pela produção de boa parte da agricultura nacional, essas regiões necessitam adotar técnicas e manejos para aumento da fertilidade do solo e, consequentemente, acesso a nutrientes e água.

Algumas das técnicas mais recomendadas por especialistas da área são as seguintes:

Adoção de cultivares resistentes a seca

Nos últimos 10 anos, dois dos mais importantes estados produtores de soja do país, o Rio Grande do Sul e o Paraná, registraram um prejuízo de cerca de 27 bilhões de dólares com a produção do grão.

O motivo dessa perda foi a falta de água para que a planta pudesse se desenvolver perfeitamente.

Estudos feitos no estado gaúcho comprovaram que a cada 10 anos, 6 são de estiagem, independente da ocorrência ou não do fenômeno La Niña.

Todos esses dados fizeram especialistas e pesquisadores se movimentarem em busca de soluções para a produção da principal commodity agrícola brasileira diante do aumento das temperaturas e ausência de chuvas regulares.

Com isso, passaram a ser desenvolvidas e disponibilizadas no mercado plantas capazes de resistir às intempéries do clima.

Com a alteração de alguns genes, essas espécies se tornaram tolerantes aos períodos de seca e, inclusive, apresentaram produtividade cerca de 13% maior quando comparadas com as não-transgênicas.

Rotação de culturas

Por rotação de culturas entende-se a alternância ordenada de diferentes culturas num espaço de tempo, na mesma lavoura, obedecendo as finalidades definidas.

É uma prática fundamental para aumentar a estabilidade da produção das culturas frente às variações climáticas observadas nas áreas produtivas do país, como a seca.

Aliada do plantio direto, a rotação de culturas permite incrementar a produtividade, sendo uma prática conservacionista do solo.

Considerada como um dos segredos para sucessivos anos de produtividades acima da média, a rotação de culturas protege contra a erosão, ajuda no controle de ervas daninhas e recicla nutrientes.

Características essas que garantem mais saúde ao solo e menos impacto diante de períodos sem chuvas.

Plantio direto

O principal benefício desta estratégia é a capacidade que os resíduos que ficam sob o solo têm de reterem a água.

Quanto mais altas as temperaturas maiores são as taxas de evaporação de água no solo e de transpiração da planta, o que resulta em degradação de raízes e morte de microrganismos.

O sistema de plantio direto é indicado nesses casos.

Ao minimizarem a evaporação, a técnica de plantio direto impede que as temperaturas fiquem elevadas demais, chegando a condições ideias para desenvolvimento das plantas.

Agricultura de precisão

Área responsável pelo emprego da tecnologia da informação na agricultura.

Quando implantada, a Agricultura de Precisão (AP) permite a geração de dados e informações precisas e exclusivas, diretamente do campo, antes tão inatingível.

Os períodos de seca ou enchentes podem ser detectados com precisão, fornecendo ao produtor rural formas de avaliar o impacto dessas informações em sua colheita.

Armazenamento de água

Aproveitar a água das chuvas é uma alternativa vista ainda como desafio para amenizar os impactos da estiagem nas propriedades rurais.

A técnica mais recomendada é a construção de cisterna, espécie de reservatório que irá auxiliar os produtores nas atividades secundárias a produção, como limpeza das instalações e consumo dos animais.

De acordo com a Embrapa, as principais vantagens da construção deste sistema são:

?A redução do consumo de água potável na propriedade e do custo de fornecimento da mesma em épocas de estiagem

?A contribuição com o meio ambiente no sentido ecológico, pois não desperdiça um recurso natural e disponível em abundância no meio rural.