Você já imaginou um cenário com grandes perdas de áreas nas regiões mais produtoras do país? Isso é muito possível acontecer já que a agricultura é a atividade mais afetada pelas mudanças climáticas e que, se nada for feito a tempo, teremos grandes chances de vivenciar isso.

Culturas como arroz, soja e mandioca seriam as mais afetadas. A alteração nos fatores climáticos, promovida especialmente pela ação do homem sobre a natureza, impactará a todos, de alguma forma, a qualquer momento.

Porém, a prática que serve de subsistência para toda a população é tão vulnerável às mudanças do clima quanto promovedora dos Gases de Efeito Estufa (GEE).

A agricultura tem uma contribuição muito forte na composição do cenário que vivenciamos hoje, principalmente com a emissão de um dos gases mais prejudiciais, o Carbono.

Os números são alarmantes e contribuem para o surgimento de um dilema já bastante discutido mundo a fora: como manter a produção agrícola e atender as mais de 9 bilhões de pessoas que dependerão da produção de alimentos, até 2050, sem deixar de lado a preservação do meio ambiente?

É por isso que o mundo todo vem analisando formas de investir em técnicas que aumentem a produtividade do plantio, sem que pra isso novas áreas precisem ser alteradas ou removidas.

A boa notícia é que o Brasil já tomou a frente diante do problema e assumiu um compromisso mundial de reduzir a emissão de gases de efeito estufa e conferir ao agronegócio uma posição de destaque em termos de sustentabilidade produtiva.

Através do Plano ABC, que se baseia em consolidar uma economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, a meta é reduzir a emissão CO2 de 133 milhões de toneladas para 166 milhões até 2020.

Considerados um dos maiores desafios para a humanidade, listaremos a seguir 5 modos de tornar a agricultura uma prática sustentável, livre da emissão de gás Carbono.

Com a degradação do solo, fruto de preparos de terras inapropriados, ocorre a perda da cobertura vegetal e a redução da quantidade de matéria orgânica no solo. Além da liberação de gás carbônico, terras degradadas perdem a produtividade e a capacidade de se auto recuperarem. Apenas no Brasil, são 60 milhões de hectares de pastos degradados.

A recuperação destes pastos com semeadura, adubação e manejo correto pode reduzir em 60% a emissão de CO2 fruto dessa degradação.

 

Significa integrar na mesma área atividades agrícolas, pecuárias e florestais. A monocultura, por vezes ocasiona perde de matéria orgânica e, consequentemente, perda na qualidade do solo.

Um dos principais benefícios da técnica é o acúmulo de matéria orgânica no solo, que melhora as condições químicas, físicas e biológicas.

A meta do Plano ABC é adotar 4 milhões de hectares de forma integrada entre lavoura e pecuária.

 Dentre as tecnologias disponíveis e já testadas tanto para recuperação dos solos como para bloqueio de emissão de Gases de Efeito Estufa, o Plantio Direto é a que mais reduz custos e acarreta em benefícios ao meio ambiente.

Contrário ao plantio convencional, plantar diretamente consiste no menor revolvimento do solo e na conservação de suas características e cobertura vegetal.

O uso intensivo de máquinas e equipamentos para preparo do solo se reduz na mesma proporção da compactação e da degradação da matéria orgânica.

Trabalho realizado pelo Grupo de Pesquisa de Arroz Irrigado da Universidade Federal de Santa Maria, UFSM, constatou que o plantio direto reduz em até 67% a emissão de gases de efeito estufa na atmosfera.

O controle de plantas daninhas também é combatido com a prática visto que não há incorporação de novas sementes no solo, além da diminuição do uso de agrotóxicos.

O ar é composto por 80% de Nitrogênio. Apesar da abundância, animais e plantas não são capazes de absorvê-lo na sua forma gasosa.

As bactérias do gênero Rhizobium ou Azorhizobium têm a função de capturar o Nitrogênio do ar artmosférico e fixa-lo nas plantas. Em grande parte, a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) ocorre por meio das plantas leguminosas, como por exemplo a Soja.

A fixação do Nitrogênio serve para formar algumas estruturas da planta e para que o gás seja disponibilizado por toda a cadeia produtiva.

Dos maiores benefícios estão a substituição total ou parcial de adubos nitrogenados, cujo Brasil é fortemente dependente, o melhoramento das qualidades físicas, químicas e biológicas do solo, além do aumento da produtividade.

Destinar de forma correta os efluentes originados na criação animal é um importante condicionante para regular o ambiente das propriedades agrícolas.

Efluentes são resíduos originários das indústrias, dos esgotos e das redes pluviais, que são lançados no meio ambiente, na forma líquida ou gasosa.

De acordo com a Lei 12.305 de 2010 só poderão ser destinados aos aterros sanitários os rejeitos, ou seja, resíduos que não podem ser aproveitados de nenhuma forma.

Para os resíduos orgânicos ficam estabelecido três possíveis tratamentos já conhecidos: a incineração, a compostagem e a biodigestão.

O Plano ABC impôs como meta o manejo de 4,39 milhões de m3 de dejetos de animais até 2020, resultando em uma redução de emissões de aproximadamente 6,9 milhões de toneladas.

 

Fontes: Agricultura de Baixa Emissão de Carbono: A evolução de um novo paradigma e Embrapa.