Práticas simples que deixarão as pragas longe da sua lavoura

Muitas vezes, o agricultor que inicia suas atividades no ramo, se assusta e desiste de cultivar a sua lavoura tão logo enfrenta a sua primeira praga. São semanas de muito cuidado, além de alto custo financeiro e de tempo, devastados em pouquíssimos dias. O primeiro pensamento que vem à mente, nestas horas, é procurar um agrotóxico para acabar com o problema. Alguns inseticidas químicos também são utilizados.

No entanto, há de se ter muito cuidado no manuseio destes químicos para com as plantas, afinal, esta é cultivada para o nosso próprio consumo. Os produtos químicos mais indicados são aqueles feitos a base de cobre e enxofre, com bem pouca toxidade. Contudo, o uso de diversos agrotóxicos torna os alimentos nocivos e contribuem para o surgimento de muitas doenças a longo prazo, inclusive tumores no organismo.

Para proteger a sua lavoura de toda e qualquer praga, existem alternativas naturais que podem ajudar a combater tais problemas com mais eficiência e segurança. Bastam algumas atitudes simples e, uma “mãozinha” da natureza, sem comprometer a saúde de ninguém.

CUIDADOS BÁSICOS

O primeiro passo é prestar atenção no lugar onde se adquire as mudas ou as sementes. Prestar atenção na qualidade do adubo e se o local de onde se compra é idôneo. Prestar atenção na origem da planta, se é conhecida ou não e nas suas formas de cultivo mais adequadas.

Cuidado também ao escolher o local onde será cultivada a lavoura. Se o solo é fértil, se a qualidade da terra é boa e se não há risco de qualquer contaminação nos arredores. Outra dica importante é irrigar a lavoura de manhã cedo – existem sistemas como aspersão de superfície ou irrigação subterrânea, para que as folhas sequem ao longo do dia e não haja proliferação de fungos.

O segundo passo é estar atento diariamente ao que acontece. E conhecer bem os tipos de pragas mais frequentes, para que ao menor sinal, possa se tomar uma atitude rápida e que não prejudique o cultivo ou a saúde de quem consumi-lo:

PRAGAS MAIS CONHECIDAS E SOLUÇÕES

“Saúvas” e “quem-quem”

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Algumas das pragas mais comuns são provocadas por bactérias, vírus e fungos – estes últimos, por exemplo, deixam a planta murcha e amarronzada. Contudo, existem outras tão terríveis como as formigas “saúva” e as “quem-quem”, chamadas de “cortadeiras” e que atacam as plantas em qualquer fase de desenvolvimento.

É comum o surgimento destas formigas em todo continente americano. Nos canaviais do Mato Grosso, por exemplo, as saúvas “mata pasto” podem destruir o cultivo da cana de açúcar e dos pastos em até 3 toneladas por hectare ao ano.

Um estudo da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu mostrou que estas pragas são tão organizadas em sua estrutura, que seus ninhos podem ter às vezes túneis que vão de 40 à 200 metros de comprimento.

Estas formigas não comem a planta, ao contrário do que se pensa. Após “cortar” a folha, estes pequenos pedaços são levados a uma estrutura chamada “câmara de alimentação” dentro do formigueiro, na qual servirão de “alimento” para os fungos. Os fungos, então, quando se alimentam do substrato destas folhas, proliferam e tornam-se, por sua vez, o alimento destas formigas.

Ao lado desta câmara, existe ainda outra estrutura na qual as formigas depositam os resíduos e as sobras. E não se assuste, mas um formigueiro destes pode ter entre 3 e até 7 milhões de formigas cortadeiras.

“Meus Deus! Perdi a minha plantação!”

Não, ainda não. É nesta câmara de alimentação que um poderoso veneno natural pode ser inserido, à base de pão francês, vinagre e 100 gramas de gergelim preto (para cada pão).

Separe pão francês de 3 a 4 dias. Faça destes pães uma farinha, adicione o gergelim preto e o vinagre com cuidado, até que se forme uma pasta. Desta pasta, forme bolinhas pequenas e distribua estas bolinhas sobre as plantas atacadas, no caminho das formigas ou ainda, dentro das aberturas destes formigueiros.

O gergelim preto é um tóxico natural para os fungos, o vinagre ajuda a acelerar o processo de contaminação no exato momento em que uma dessas bolinhas entra em contato com o fungo. Tal remédio não mata os animais domésticos que por ventura venham a se alimentar deste pão e também não prejudica o meio ambiente.

Lagartas e besouros

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As lagartas também são outro grande problema do agricultor. Este inseto possui rápida proliferação, de forma que é preciso estar atento a seu surgimento na lavoura. As lagartas são o segundo estágio das borboletas: ovo, lagarta, casulo e borboleta.

Para colocar fim a esta praga, um ótimo inseticida natural desenvolvido pela Embrapa, é o óleo de pimenta de macaco. Este óleo é biocida e possui 54 substâncias químicas naturais, matando a lagarta logo nas primeiras aplicações. A Embrapa já testou o remédio, inclusive na cidade de Teresina, no Piauí, por três anos.

Outro bom repelente, é a calda de pimenta e fumo. Para prepará-la é fácil. Reserve 50 gramas de fumo, 50 gramas de pimenta picante, 1 litro de álcool, 250 gramas de sabão neutro e 10 litros de água. Misture a pimenta e o fumo ao álcool e deixe que a mistura descanse por sete dias. Em seguida, dissolva as 250 gramas de sabão neutro à água. Coe a calda e misture o extrato ao sabão.

Pulverize a plantação uma ou duas vezes por semana, até que as lagartas morram e desapareçam.

Cochonilha

A “cochonilha” é outro pesadelo na vida do agricultor. Da família dos “pulgões”, ocorre quando aparecem em estágio inicial, sob a forma de pequenas bolinhas brancas nos caules das plantas. Na sequência, em poucos dias, estas plantas começam a apresentar manchas amarelas e semanas depois, morrem.

A maneira mais fácil de exterminar a cochonilha é através da manutenção da plantação. Ao menor sinal destas bolinhas brancas, retire a planta infectada e procure saber sobre suas condições favoráveis de cultivo. Esta praga só aparece, quando as condições de cultivo estão erradas. Tais como a qualidade do solo, ambientes e clima.

Em casos onde o ataque da cochonilha seja mais agressivo, uma boa solução é a pulverização de emulsão de sabão de coco ou detergente neutro e, em seguida, pulverizar óleo mineral emulsionável. O óleo forma uma camada sobre a praga que a impede de se proliferar em razão da asfixia.

Há ainda mais uma solução: a pulverização de calda de fumo ou de “santa-maria”, dois extratos vegetais bastante poderosos e que não agridem as plantas. São feitos desta forma:

Caldo de Fumo (ingredientes): 1 quilo de fumo de corda; 5 litros de álcool; 10 litros de água; 250 g de sabão em pedra neutro. Misture o fumo ao álcool. Deixe-os agir por 15 dias. Após este prazo, pique o sabão em pedaços e o dissolva em 10 litros de água. Misture esse sabão à calda de fumo curtida. Geralmente logo na primeira borrifada a praga desaparece. Se o caso persistir, uma vez por semana deve ser feito, até a praga sumir.

Caldo de Santa Maria (ingredientes): Também chamada de Dysphania ambrosioides. Reserve 200 g desta planta e 1 litro de água fria. Deixe que a erva amoleça nesta água por seis horas. O extrato tem que ser diluído em 5 litros de água limpa. Quando o sol estiver fraco, pulverize a planta uma vez por semana com esta calda até que a cochonilha desapareça.

COMO PREVENIR AS PRAGAS?

Existem alguns métodos que podem ajudar a impedir que tais pragas apareçam. No caso das cortadeiras, é necessário que a terra seja sempre vistoriada. É preciso que coloque as mãos na terra e verifique ao menos uma vez por semana, se há qualquer irregularidade. Se algumas plantas já estiverem infectadas, arranque-as. Mantenha a terra constantemente adubada e coberta com folhas secas, a fim de preservar a sua umidade.

Um excelente tipo de adubo que enriquece o solo é o bom e velho esterco. É possível comprá-lo ou cultivá-lo com certa facilidade em sua lavoura. Espalhe-o por toda a terra. As fezes de animais como galinha, cabras e coelhos são as mais indicadas – sendo as do coelho, principalmente, as mais ricas em nitrogênio. As demais devem ser curtidas primeiro nas chamadas “composteiras”.

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Outras grandes fontes de nitrogênio são a grama e a borra de café. Ao cortar a grama do jardim, não a jogue fora. Espalhe-a por todo solo da lavoura. A grama cortada se decompõe mais rapidamente e enriquece o solo com nutrientes. As plantas ficarão ainda mais verdes. Com a borra do café, deve-se fazer a mesma coisa: espalhe-a por todo solo ou a misture à compostagem do adubo.

Use uma sombrite

Trata-se de uma tela de sombreamento, bastante eficaz no controle de pragas. São feitas de polipropileno ou poliéster, materiais bem leves, permeáveis e que apoiados sobre aros de aço presos ao solo, ou simplesmente jogados sobre a plantação, impedem a penetração de qualquer inseto na horta. São vários os tipos e funções: para proteção de flores, como orquídeas e até para gado.

Repelentes naturais

Manjericão, alecrim, óleo, lavanda, cebola e alho são alguns dos repelentes naturais que podem, por seu odor, ser usados para afastar insetos das plantações e grandes cultivos. O óleo serve como protetor a fim de matar qualquer fungo que já esteja presente.

Existem outras plantas também poderosas, tais como a URTIGA, que sempre que entra em contato com a pele, provoca coceira. Esta planta pode ser usada como um poderoso repelente. Com um bom par de luvas, colha um pouco de urtiga e deixe de molho em um balde com água, coberto, por no mínimo uma semana. Borrife o remédio sobre toda a plantação uma vez por semana.

Inseticida de folhas de tomate

As folhas de tomate são ricas em uma substância chamada alcaloide e que funciona como bom repelente de pulgões, vermes e lagartas. Encha dois copos com estas folhas picadas, adicione água e deixe descansar por uma noite. Após este período, adicione outros dois copos de água. Borrife ao menos uma vez por semana sobre a lavoura.

Cascas de Ovo

As cascas do ovo, em razão do cálcio que a recobre para proteger o embrião, pode servir de fertilizante para o solo e também de repelente. Pode ser feito com a casca em pedaços ou em farinha. Se for transformada em farinha, basta polvilhar o pó sobre a planta. Se for quebrada em pedaços, coloque as partes em volta da base do caule, pois isto evita que se aproximem caracóis e algumas lagartas.

Inseticida de pimenta

O odor exalado pela pimenta é tão forte, que protege por muito tempo as plantações contra ação de qualquer parasita. E este inseticida natural é muito fácil de ser feito. Para cada dois copos de água, bata de seis a 10 pimentas de qualquer tipo no liquidificador, em velocidade máxima, por dois minutos. Faça na quantidade que precisar e em seguida, espere que a mistura descanse por uma noite. No dia seguinte, espalhe por toda sua lavoura.

Pragas amigas

“Se não puder vencer o inimigo, alie-se a ele”. Você com certeza já ouviu esta famosa frase, não? Calma, não significa que é para deixar a lavoura totalmente entregue às pragas.

Muita gente não sabe, mas existem pragas que combatem outras pragas, sem danificar as plantas. O nome delas é “Nematóides”. Trata-se de vermes amigos que se alimentam de parasitas como besouros, gorgulhos, dentre outras pragas. É fácil encontrá-los em lojas especializadas.

Como se vê, é possível tomar todos os cuidados para que a sua lavoura esteja sempre em perfeitas condições. O mais importante é não utilizar qualquer agrotóxico ou composto químico que ponha em risco a vida das pessoas. Muitos desses compostos podem ao mesmo tempo prejudicar o meio ambiente e até matar a outros tipos de planta que sejam cultivadas por perto.

Quando o assunto é meio ambiente e alimentação, todo cuidado é sempre bem vindo. E a natureza pode te ajudar a encontrar solução perfeita para solucionar estes sérios problemas. Basta conhecer, testar e confiar.

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